Ibama intercepta tráfico de aves com risco de extinção
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terça-feira, 18 de maio de 1999
Por Sônia Cristina Silva 
Brasília, 19 (AE) - Fiscais do Instituto do Meio Ambiente (Ibama) apreenderam hoje, no Aeroporto Internacional de Brasília, um papagaio Diadema e sete rouxinóis do Rio Negro, espécies raras e com risco de extinção, somente encontradas na Amazônia. Paulo Evangelista Cornélius - que se preparava para receber a carga vinda de Manaus (AM) - foi preso em flagrante, mas solto após prestar declarações na Polícia Federal. Ele poderá responder a processo por guarda ilegal de animais. Levadas ao zoológico da cidade, as aves recuperam-se do stress provocado pela viagem. Segundo o Ibama, o papagaio está cotado em R$ 5 mil e cada rouxinol, R$ 300,00.
Conhecido como Paulo Pica-pau, Cornélius foi levado pelos fiscais do Ibama à Superintendência da Polícia Federal de Brasília para prestar declarações. Caso seja processado e condenado, pode receber uma pena que varia de seis meses a um ano de detenção. De acordo com o chefe do Departamento de Fiscalização do Ibama, Rodolfo Lobo da Costa, Cornélius é ex-proprietário de uma loja de animais em Brasília e já havia sido multado por posse ilegal de animais, há cerca de um ano e meio.
"Com este apreensão, temos a prova do crime de tráfico de animais", disse Costa. Mas o delegado da Superitendência da PF, Geraldo André Vieira, explicou que somente o juiz federal, depois de receber o termo de declaração, decidirá se Cornélius será processo por guarda ou comercialização de espécie animal silvestre sem autorização. "Cornélius prestou declarações e comprometeu-se a comparecer na presença do juiz", contou o delegado. Segundo ele, a justiça pode determinar uma pena alternativa por ser o crime considerado de "menor potencial ofensivo".
Cornélius, que será ouvido também pelo Ibama, foi procurado hoje à tarde, mas seus filhos diziam que ele não estava em casa. Pela quantidade de aves encontradas, o chefe de fiscalização do Ibama suspeita que a intenção era de revender a carga. Segundo o delegado Geraldo Vieira, Cornélius contou que fazia um favor a um amigo, a quem devia um dinheiro. Ainda segundo o delegado, Cornélius informou à Polícia Federal que embarcaria os animais para o Rio de Janeiro, após deixá-los descansar.
O Ibama estava em busca da pessoa que embarcou os animais em Manaus. "Estamos com mandado de busca e apreensão", explicou o chefe da Fiscalização. A empresa aérea, a princípio, não tem responsabilidade. "Desconfiamos de que a guia de remessa foi falsificada para fazer crer que o transporte era autorizado", disse Costa.
A apreensão das aves ocorreu por volta das 8 horas, no terminal de cargas da Varig. O tráfico de animais silvestres entre Manaus (AM) e Brasília é considerado hoje pelo Ibama uma das principais rotas. Perde apenas para o circuito Belém (PA) - Rio de Janeiro (RJ) e Belém - Recife (PE).
A veterinária do zoológico de Brasília, Tianelen Malaquias Farias, explicou que as aves vão passar por um período de 15 dias de observação no viveiro. "Os animais vieram presos em caixas de madeira fechada e isso os deixou muito cansados", contou ela. As aves passaram por exames e receberam comida.
Os rouxinóis ainda não são adultos e só depois do período de recuperação será possível dizer se há chances de reintegrá-los ao ambiente natural. "Dificilmente eles conseguirão voltar ao habitat natural", explicou o chefe de Fiscalização do Ibama. "Por cobiça, esses animais acabam condenados ou disputam espaço em zoológicos", disse o diretor fiscalização.


