O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) vai contar quantas araras azuis de Lear existem no Brasil, pois a espécie corre sério risco de extinção. O censo será realizado no último fim de semana deste mês, na região do Raso da Catarina, no interior da Bahia, seu hábitat natural. A última estimativa, de 1999, dava conta de 170 exemplares soltos. Os zoológicos do Rio e de São Paulo têm cerca de 20 animais em cativeiro e tentam a reprodução, o que não foi conseguido até agora.
A ave, cujo nome científico é Anodorhynchus leari, é menos charmosa que a arara colorida e a ararinha azul por ter as penas de um azul desbotado, mas é tão valorizada pelos contrabandistas quanto estas.
Além de serem caçadas irregularmente, estão ameaçadas de extinção porque seu alimento natural, o licuri, uma espécie de palmeira, serve de alimento ao gado e é colhido pelos fazendeiros dos cinco municípios que formam o Raso da Catarina.
A arara azul de Lear foi reconhecida como espécie em 1856, mas só em 1978, mais de um século depois, os biólogos identificaram seu hábitat natural, no interior da Bahia. A contagem será feita pelo Centro de Pesquisa para Conservação das Aves Silvestres (Cemave), que começará o trabalho no município de Canudos, onde a fundação Biodiversitas tem um centro de pesquisa. Lá vivem quase 50% da espécie.
‘‘A contagem é fundamental para conhecermos a tendência da espécie na natureza e avaliar o efeito do trabalho de proteção que fazemos desde 1989’’, concluiu o diretor do Cemave, João Luiz do Nascimento.

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