Belém, 17 (AE) - O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) adotou uma nova técnica para combater a devastação da floresta amazônica e a extração ilegal de madeira no Pará: a explosão, com dinamite, de pontes construídas sobre igarapés pelos madeireiros para facilitar a passagem de caminhões e tratores que vão recolher o que foi derrubado.
Além das explosões, as pesadas multas já renderam ao órgão R$ 3,5 milhões em apenas dois meses. O trabalho do Ibama é feito com a ajuda de homens do Exército. A ação está concentrada na região oeste paraense, entre as localidades de Cachimbo e Castelo dos Sonhos. A área, rica em mogno e cedro, é quase do tamanho da Europa. Nela atuam, segundo a Polícia Federal, 37 madeireiras do Pará e Mato Grosso.
O mogno, no mercado internacional, alcança U$$ 1.600 o metro cúbico. Em apenas um ano, segundo levantamento da Associação dos Exportadores de Madeira do Pará (Aimex), cerca de U$$ 380 milhões em madeira saem clandestinamente do Estado para países asiáticos, Europa e Estados Unidos.
Segundo a direção do Ibama em Santarém, com a explosão das pontes, construídas sobre igarapés repressados por toras de madeira e aterro - o que impede o caminho dos peixes até os rios para a reprodução e afeta a cadeia alimentar da população ribeirinha -, fica impossível retirar a madeira dos locais de extração.

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