Ibama exige que ranchos e casas de veraneio sejam demolidas em Castilho
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segunda-feira, 17 de maio de 1999
Por Antônio José do Carmo 
Castilho, SP, 18 (AE) - O Ibama está exigindo no Relatório de Impacto Ambiental da usina de Porto Primavera, que o bairro de pesca turística mais famoso de Castilho no extremo noroeste do Estado seja demolido e em toda faixa onde existem hoje 400 casas de veraneio haja um reflorestamento para proteger o rio Paraná. A legislação ambiental fala em deixar cerca de 300 metros marginais intocáveis, mas as construção estão quase dentro dágua.
A Cesp- Companhia Energética de São Paulo iniciou hoje negociações para pagamento das indenizações, algumas superiores a R$ 30 mil. A população que trabalha no local como caseiros e até pescadores, poderão receber lotes de agricultura e pecuária em fazenda que está sendo desapropriada na região. O diretor de Meio Ambiente da CESP, Daniel Salate, disse hoje que os ranchos de pesca representam uma importante atividade turística do município. A empresa sugeriu ao Ibama que estude formas de manter os ranchos através de critérios de ocupação que inclusivem colaborem com a preservação, mas o instituto ainda não deu resposta.
Na verdade a ocupação da margem esquerda do rio Paraná no município de Castilho começou há mais de três décadas. Poucas pessoas possuem escritura dos lotes e o único documento disponível são contratos de compra e venda. A cessão do direito de uso em quase todos os casos foi feita por um grande fazendeiro detentor da área e que ficará com boa parte do dinheiro equivalente ao valor da terra.
O arquiteto Reginaldo Sant´Anna Júnior que mora em Andradina e possui um rancho de pesca em Castilho associado a mais 7 pessoas, disse não estar preocupado em ser indenizado caso realmente exista um projeto viável de recuperação das margens do rio que agora está virando lago da barragem de Porto Primavera. Segundo ele o nível do rio vai subir 6 metros e com isso, uma parte da estrada que dá acesso aos imóveis ficará submersa. Com o dinheiro da indenização, o arquiteto pretende construir outra casa de veraneiro "um pouco mais acima".
O prefeito de Castilho, Adão Severino Batista (PFL) não considera a questão tão simples assim. Os ranchos de pesca representam a vinda de pelo menos 20 mil turistas nos feriados prolongados. Para Batista o município corre o risco de colocar fim na sua maior tradição até hoje que foi a pesca amadora no rio Paraná. Hoje o prefeito viajou para Brasília na tentativa de conseguir audiência com autoridades e pleitear a manutenção dos ranchos no mesmo lugar.


