Ibama deve manter proibição de pesca
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quinta-feira, 22 de março de 2001
Andréa Lombardo De Curitiba 
O Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) decide hoje se libera ou não a pesca na Baía de Guaraqueçaba (Litoral do Estado). Até ontem à tarde, o órgão não tinha recebido o resultado da análise da coleta de água e mariscos feita na última terça-feira. A atividade está proibida desde o último dia 7 de março por conta da floração de algas tóxicas, que estava causando a mortandande de peixes. Oitocentas e vinte famílias do município recebem, hoje, cestas básicas, que serão distribuídas pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente.
No monitoramento feito pelo Ibama, na terça-feira, foram encontrados mais 348 peixes mortes na baía, o que indica que os níveis de toxicidade da água continuam altos. Segundo o superintendente do Ibama no Paraná, Luiz Nunes Melo, é quase certo que a proibição seja prorrogada.
A proibição da pesca na baía vale para todas as espécies de peixes, crustáceos e moluscos. Já em alto mar, proibiu-se apenas a pesca de arrasto do camarão. A comercialização dos pescados também está proibida, exceto os produtos em estoque. Melo, disse que, apesar da fiscalização, não há como impedir que alguns pescadores continuem trabalhando. Portanto, a recomendação para quem for até o Litoral é certificar-se da procedência dos pescados. Em Guaraqueçaba, as pessoas não devem consumir peixes, ostras, camarões e outros crustáceos, que podem estar contaminados.
O professor Luís Antônio de Oliveira Proença, do Centro de Ciências Tecnológicas da Terra e do Mar (Cttmar) da Universidade do Vale do Itajaí (Univali-SC), explicou que a toxina liberada pelas algas Heterosigma carterae, é mortal para os peixes. A brevetoxina atua no sistema respiratório, matando os peixes por asfixia. Nas ostras e mariscos, o efeito não é letal. Essas espécies atuam como filtros, acumulando a toxina no organismo.
O consumo de moluscos contaminados pode oferecer risco ao homem. A toxina provoca distúrbios neurológicos e gastrointestinais. Os principais sintomas da intoxicação são náuseas, vômitos e alteração nas sensações de frio e quente. Até agora, segundo o Ibama, não houve registro de pessoas intoxicadas pela ingestão de frutos do mar em Guaraqueçaba.
A floração das algas tóxicas na Baía de Guaraqueçaba pode se tornar frequente. Como a espécie da alga é típica da Flórida (Estados Unidos) e Nova Zelândia, Melo acredita que ela tenha sido trazida pelo que os técnicos chamam de água de lastro.


