Arquivo FolhaAlargamento das margens do rio Paraguai pode diminuir áreas alagadas do PantanalO governo brasileiro não admitirá qualquer obra na hidrovia Paraná-Paraguai que afete o Pantanal. A posição oficial do Brasil foi reafirmada ontem pelo presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Eduardo Martins. ‘‘No trecho brasileiro da hidrovia, não vamos permitir obras que prejudiquem o pantanal’’, garantiu Martins.
A navegação nos rios Paraná e Paraguai é antiga, mesmo sem a estrutura de uma hidrovia com trechos de navegação definidos e sinalizados. Mas tem gerado polêmica por causa da proposta feita, ano passado, pelo consórcio Hidroservice-Taylor com empresas brasileira, canadense, americana e francesa. O consórcio venceu a licitação realizada pelo Comitê Intergovernamental da Hidrovia Paraná-Paraguai (CIH), integrado pela Bolívia, Argentina, Paraguai, Uruguai e Brasil, para elaborar um projeto para a hidrovia.
A proposta do consórcio prevê que, desde a Bacia do Prata até Cáceres (MT), a hidrovia deve ter as mesmas características. Pela sugestão do consórcio, a hidrovia possuiria capacidade para receber um comboio (formado por um rebocador e 18 chatas) que carregaria 30 mil toneladas. Acontece que no trecho de Corumbá (MS) a Cáceres o rio Paraguai é bastante sinuoso e, por isso, só é possível navegar um rebocador com apenas quatro chatas que carregariam 18 mil toneladas, no máximo, ao contrário das 30 mil defendidas pelo Hidroservice-Taylor.
Para executar o projeto do consórcio, seria necessário alargar as margens do rio. Eduardo Martins explicou que há a desconfiança de que o alargamento provoque o escoamento das águas do rio Paraguai para o oceano com mais velocidade e diminua as áreas alagadas do Pantanal. ‘‘É difícil prever se isso vai acontecer ou não. Na dúvida, o governo brasileiro prefere não avançar em projetos de grande envergadura’’, esclareceu o presidente do Ibama.

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