O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) não considera a hipótese de multar a Petrobras por causa do vazamento de óleo da P-36, que afundou anteontem, na Bacia de Campos, RJ. Havia 1,54 milhão de litros de óleo cru e diesel a bordo. ‘‘Não falamos em multa. O momento é de solidariedade com um órgão (a Petrobras) que sempre prestou importantes serviços ao País’’, disse o presidente do Ibama, Hamilton Nobre Casara.
Ontem à tarde ele sobrevoou a região onde ocorreu o vazamento e disse que havia pouco óleo no local. O superintendente de Meio Ambiente da Petrobras, Irani Varella, informou que a estimativa é de que anteontem a mancha era formada por 350 mil litros e ontem pela manhã eram 11 mil litros. Em nota à tarde a empresa informou que havia recolhido 339 mil litros. ‘‘Supomos que 1,2 milhão de litros de diesel e óleo cru já vazaram, mas a maior parte já deve ter evaporado’’, disse Varella. O fato de o óleo ter se espalhado pelo mar em uma camada muito fina dificultou, segundo Varella, a colocação de barreiras. A empresa está usando produtos químicos que dispersam o óleo.
Casara admitiu que os dispersantes usados pela Petrobras para diluir o óleo também são poluentes, mas observou que são ‘‘dos males, o menor’’. ‘‘Se deixássemos o óleo na superfície da água se dispersar sozinho, ele provocaria grandes danos à fauna superior (aves). O dispersante quebra as moléculas do óleo e facilita a absorção pela natureza’’, observou.
O presidente do Ibama admitiu que será necessária uma vigilância constante na região onde está a plataforma, porque o óleo pode aflorar a qualquer momento, mesmo que isso demore vários meses. ‘‘O estado de alerta foi lançado e não tem prazo para terminar. Nossos centros de monitoramento de costas vão manter vigilância permanente’’, informou Cesara.
A Federação Única dos Petroleiros (FUP) vai cobrar explicações da Petrobras em relação a denúncias que tem recebido de que outras plataformas, como a P-40 e P-19, teriam estruturas semelhantes à da P-36 e, por isso, estariam sujeitas a acidentes como o ocorrido na quinta-feira da semana passada, deixando dez mortos. ‘‘Temos recebido muitas denúncias e vamos procurar a Petrobras para cobrar explicações sobre a presença de substâncias explosivas, como gases, em colunas de plataformas que têm sistemas semelhantes ao da P-36’’, afirmou Fernando Carvalho, coordenador do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense.

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