Com base na Lei de Crimes Ambientais, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais e Renováveis (Ibama) do Amazonas denunciará, quarta-feira, ao Ministério Público Federal, as madeireiras asiáticas Amaplac S/A Indústria de Madeira e Cifec Compensados da Amazônia. As duas empresas, instaladas na região há cinco anos, compraram 5.520 metros cúbicos de madeira proveniente de área não manejada dos municípios de Tapauás e Canutamã, ao Sul de Manaus.
VigilânciaInvestigações do Departamento de Controle e Fiscalização, apoiadas pelo Centro de Sensoreamento e de Programa de Combate às Queimadas, constataram a irregularidade. As fotos de satélite das áreas de onde as madeiras foram retiradas, e as notas fiscais das empresas, são provas da materialidade do crime no laudo de constatação, que será concluído hoje. ‘‘São documentos essenciais para a formação da denúncia, disse o superintendente regional do Ibama, Hamilton Casara. As duas madeireiras já foram multadas, cada uma em R$ 4.960,00 e deverão enfrentar agora a investigação do Ministério Público.
A empresa Amaplac, que pertence ao grupo malaio WTK, comprou 2.715 metros cúbicos de madeira cuja a origem é ilegal. Cada metro cúbico é avaliado em R$ 300. No pátio da serraria da Cifec - empresa de propriedade do chinês Wang Yanggan - o Ibama encontrou mais 2.914 metros cúbicos. No mercado internacional as madeireiras faturariam R$ 1,6 milhão, já que as espécies apreendidas são de valor comercial, como Jacareúba, cedro e samauma. ‘‘O alerta dos ambientalistas sobre as madeireiras asiáticas nos fez permanecer em constante vigilância’’, disse Casara, lembrando o documento apresentado em 1997 pelo ‘‘Greenpeace’’ à Comissão Externa de Investigação de Madeireiras Estrangeiras na Amazônia, da Câmara Federal. O relatório, chamado de ‘‘desflorestando o Planeta’’, indicava as práticas florestais predatórias e desmatamentos ilegais adotados por esses grupos no Pacífico Sul, na Guiana, Malásia e Indonésia. Nos últimos cinco anos, só no Amazonas, as madeireiras estrangeiras compraram 1,2 milhão de hectares de florestas nativas. As reservas de madeiras tropicais da Amaplac e Cifec continuam embargadas pelo Ibama, por apresentação de projeto de manejo florestal inconsistente.

mockup