Ibama denuncia madeireiras asiáticas por crime ambiental
PUBLICAÇÃO
sábado, 08 de maio de 1999
Por Kátia Brasil 
Manaus, 09 (AE) - Com base na Lei de Crimes Ambientais, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais e Renováveis (IBAMA) do Amazonas denuncia na quarta-feira (12) ao Ministério Público Federal as madeireiras asiátias Amaplac S/A Industria de Madeira e Cifec Compensados da Amazônia. As duas empresas, instaladas na região há cinco anos, compraram 5.520 metros cúbicos de madeira proveniente de área não manejada dos municípios de Tapauás e Canutamã, no Sul de Manaus.
Investigações do Departamento de Controle e Fiscalização, apoiadas pelo Centro de Sensoreamento e de Programa de Combate às Queimadas, constataram a irregularidade. As fotos de satélite das áreas de onde as madeiras foram retiradas e as notas fiscais das empresas são provas da materialidade do crime no laudo de constatação, que será concluido amanhã (10). "São documentos essenciais para a formação da denúncia, disse o superintendete regional do Ibama, Hamilton Casara. "As duas madeireiras já foram multadas, cada uma em R$ 4.960,00 e deverão enfrentar agora a investigação do Ministério Público.
A empresa Amaplac, que é de propriedade do grupo malaio WTK, comprou 2.715 metros cúbicos de madeira cuja a origem é ilegal. Cada metro cúbico é avaliado em R$ 300. No pátio da serraria da Cifec -empresa de propriedade do chinês Wang Yanggan- o Ibama encontrou mais 2.914 metros cúbicos. No mercado internacional as madeireiras faturariam R$ 1,6 milhão já que as espécies apreendidas são de valor comercial como Jacareúba, cedro e samauma. "O alerta dos ambientalistas sobre as madeireiras asiáticas nos fez permanecer em constante vigilância", disse Casara, lembrando o documento apresentado em 1997 pelo Greenpeace à Comissão Externa de Investigação de Madeireiras Estrangeiras na Amazônia da Câmara Federal. O relatório, chamado de "desflorestando o Planeta", indicava as práticas florestais predatórias e desmatamentos ilegais adotadas por esses grupos no Pacífico Sul, na Guiana, Malásia e Indonésia. Nos últimos cinco anos, só no Amazonas, as madeireiras estrangeiras compraram 1,2 milhão de hectares de florestas nativas. As reservas de madeiras tropical da Amaplac e Cifec continuam embargadas pelo Ibama por apresentação de projeto de manejo flotrestal inconsistente.


