Cuiabá, 15 (AE) - A presidente do Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Marília Marreco, decretou hoje intervenção federal do órgão ambiental em Mato Grosso para investigar as denúncias de corrupção no Estado.
Funcionários da estatal estão envolvidos na emissão de notas em branco para autorização de desmatamentos como extração e transporte de madeira, além de queima de pastagens.
Mato Grosso foi o recordista nacional de queimadas este ano, onde foram registrados 32.000 focos de calor com a conivência dos próprios servidores.
"É um absurdo saber que os funcionários que deveriam cuidar do meio ambiente estão envolvidos em crime contra a própria natureza", afirmou o superintendente do Ibama em Mato Grosso, Nivaldo Bezerra.
Ele acusou 60% dos funcionários do órgão no Estado de estarem envolvidos com fazendeiros, pecuaristas e produtores rurais em crimes contra a natureza.
Além das queimadas, Mato Grosso é recordista nacional em desmatamentos, extração e transporte ilegal de madeira e minérios sem autorização.
O Ibama aplicou este ano 944 infrações totalizando um valor de R$ 23,5 milhões em multas aos proprietários de fazendas. Nenhum dono das áreas desmatadas pagou nenhum centavo sequer ao órgão pelo crime cometido contra o ambiente. Todos recorreram da multa. É o que revela o relatório da "Operação Amazônia Fique Legal", divulgado hoje em Brasília.
Durante seis meses, fiscais e satélites rastrearam desmatamentos em nove Estados. Mais: em Mato Grosso, a madeira apreendida pelo órgão ambiental ao invés de ser doada - como manda a lei - é vendida clandestinamente para comerciantes de São Paulo e Rio de Janeiro, com a participação dos funcionários do próprio Ibama, segundo denúncias anônimas, as quais são confirmadas pelo superintendente do Ibama em Mato Grosso, Nivaldo Bezerra. A Polícia Federal já instaurou inquérito para apurar o caso. O relatório aponta ainda os nomes dos dez maiores proprietários de áreas desmatadas, seja através de queimada ou derrubada ilegal, e transporte clandestino de madeira. Uma equipe de técnicos do Ibama de Brasília está em Cuiabá para reavaliar os valores das multas aplicadas e agilizar o recebimento dos valores correspondentes ao crime ambiental.
Os dez maiores infratores respondem por 50% do total de multas aplicadas durante a operação, entre eles, os produtores rurais Zanette Okada, (R$ 4 milhões), e Carlos Ferreira, (R$ 3,8 milhões), por desmatamentos e queimadas sem autorização. "Antes da nova Lei, muitos preferiam arcar com a punição. Agora é diferente, e quem duvidar vai ser arrepender, pois a multa é pesada e ainda há o processo criminal", disse Bezerra.
Deste total, no entanto, pouco deverá chegar ao órgão. Segundo Bezerra, caso o infrator se comprometa a recuperar a área atingida, pode abater 90% do valor a ser pago. "Uma iniciativa como esta é uma forma de coibir a devastação do meio ambiente, bem como a exploração desordenada dos recursos naturais. Ela não foi criada para arrecadar fundos para o Ibama."

mockup