Peixes mortos e amostras de água da Baía de Guaraqueçaba (Litoral do Estado) foram coletados ontem por técnicos do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e da Petrobras. As análises no material coletado vão determinar a causa da morte de centenas de peixes na região, que estão aparecendo desde a semana passada. Somente nos últimos dois dias, foram encontrados cerca de 150 peixes de espécies variadas, mas o Ibama admite que a quantidade de animais mortos seja muito maior.
O instituto não descarta a mortandade possa ter sido causada pelo vazamento de óleo da Petrobras na Serra do Mar, no último dia 16, embora afirme que não há ligação direta por correntezas entre a região atingida e a Baía de Guaraqueçaba. O Ibama trabalha com outras duas hipóteses: intoxicação por produtos químicos ou por meios naturais. ‘‘O ambiente pode ter sido favorável para o desenvolvimento de algas tóxicas’’, explicou o gerente do Ibama em Paranaguá, Lício Domit.
A outra hipótese é a de que os peixes tenham sido contaminados por agrotóxicos ou outro produto químico jogado ao mar. Essa versão foi levantada por causa da espuma que surgiu na região de Ilha Rasa, entre Guaraqueçaba e Paranaguá. Os técnicos que vistoriaram o local não souberam informar a origem da espuma.
Na Ilha Rasa, no entanto, o número de peixes mortos encontrados não foi tão significante. ‘‘A maior parte está em Guaraqueçaba’’, salientou Domit. Os peixes são de espécies variadas, a maioria (54) bicho de pescada. Também foram encontrados ontem baiacus (31), bagres (25), corvinas (14) e muçuns (6).
Os pescadores da região acreditam que os peixes foram contaminados na Baía de Antonina, por causa do vazamento de óleo, e tenham sido trazidos pela correnteza. ‘‘São peixes que ficam no fundo, por isso demoraram mais para sentir a consequência do óleo na água’’, defendeu o pescador Dolarino Alves, de 59 anos. Ele diz que não deixou de comer os peixes pescados em Guaraqueçaba e nem de vendê-los.
O Ibama ainda não definiu se vai proibir a pesca na região, mas aconselha aos moradores que não comam e nem vendam os peixes encontrados mortos ou agonizantes na região. O instituto informou que só terá uma posição sobre a causa da mortandade após a conclusão das análises do material coletado feitas pelo Iap. Os exames devem estar prontos em 30 dias.

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