Ibama aprovou licença para operações
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quarta-feira, 11 de novembro de 1998
Marcos Cesar Gouvea 
Desde 1958 o Rio Paranapanema tem seus recursos hídricos usados para produzir energia. Naquele ano foi inaugurada a usina Lucas Nogueira Garcez (Salto Grande). Pesquisadores da Cesp descobriram, examinando seus arquivos, que a então Uselpa (Usinas Elétricas Paulistas), havia sugerido a construção de escada de peixe, sugestão recusada na época pela Secretaria de Agricultura de São Paulo. Hoje, com a inauguração do complexo de Canoas, serão oito barragens, sem escada. Somente a barragem de Piraju, do Grupo Votorantim, na cabeceira do rio, tem escada em degraus-tanque. A construção das usinas Canoas 1 e 2 foi feita pelo consórcio formado pela Cesp e Companhia Brasileira de Alumínios (CBA).
O gerente de Meio Ambiente e Operação do Complexo de Canoas, Tarcísio Borin Júnior, diz que os estudos do impacto ambiental de Canoas 1 e 2 vem sendo feitos desde 1989 pela Cesp. A viabilidade da construção de escadas foi discutida, inclusive em audiências públicas em Cândido Mota (SP) e Andirá (PR). Na época, segundo ele, os estudos não recomendaram a construção da escadas.
Primeiro porque as usinas ficam entre dois barramentos, a Canoas 2 à jusante da usina de Santo Grande. Na verdade, o Rio Paranapanema está barrado em toda sua extensão, sem nenhuma escada. Borin diz que segundo os estudos, escadas em apenas duas, de oito barragens, não foram recomendadas. Um nona barragem é a usina de Piraju (Santa Cruz), que tem escada e é a mais próxima das nascentes do Paranapanema. Tarcísio lembra também que os ambientes para desenvolvimento dos alevinos, como as lagoas marginais ao rio também não existem mais, destruídas pela agricultura que chegou até as barrancas do rio e tributários.
Tarcísio Borin diz que o programa para o meio ambiente da Cesp estuda a qualidade da água e os peixes que existem no rio, assim como seu desenvolvimento quando se instala uma represa. E trabalha no seu repovoamento. Hoje o trabalho de repovoamento é feito com peixes de couro e escamas, espécies nativas e com os peixes já com 10 centímetros em média para garantir sua sobrevivência. Esse trabalho, conforme o técnico, garante a piscosidade do rio. No caso do Dourado, o repovoamento é impossível. Até hoje os especialistas não conseguiram reproduzi-lo em laboratório.
De acordo com Tarcísio, projetos para a construção, alagamento e entrada em operação das usinas de Canoas 1 e 2 foram submetidos às secretarias de Meio Ambiente dos Estados de São Paulo e Paraná, e ao Ibama - este responsável pelo Licenciamento de Operações (LO) -, e foram devidamente aprovados. Nenhum destes órgãos exigiu a construção de escadas para peixe. Ele lembra, ainda, que quando os estudos apontam para a necessidade de construção de escadas, como a Usina Hidrelétrica Engenheiro Sérgio Motta (Porto Primavera), no Rio Paraná, a Cesp constrói a escada, como está ocorrendo hoje.


