Ibama apreende R$ 38 milhões em mogno
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quinta-feira, 29 de novembro de 2001
Katia Michelle<bR> De Curitiba 
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) apreendeu R$ 38 milhões em cargas de mogno, desde que o órgão intensificou a operação para conter a extração e exportação ilegal da madeira, em junho deste ano. Ontem, o instituto divulgou avaliação parcial da operação, que contou com cerca de 100 técnicos e quatro helicópteros, para identificar os principais focos de retirada e exportação do mogno no País. O Porto de Paranaguá, no Litoral do Estado, foi um dos locais fiscalizados pelo Ibama, já que é considerado líder na exportação de madeira.
O Ibama ainda não divulgou se há irregularidades no porto paranaense, já que os resultados da operação não foram finalizados. Mas contabilizou a maior apreensão já realizada em todo o País. Em cinco meses, foram apreendidos 23.373 metros cúbicos (m3) de mogno em tora, 844 m3 de mogno cerrado e 2,3 mil m3 de cedro. No mesmo período foram aplicados R$ 24 milhões em multas. Tanto o montante apreendido, quanto o valor das multas podem subir nos próximos dias, já que o Ibama autuou apenas as serrarias e não as indústrias madeireiras.
As apreensões aconteceram em todo o País, mas principalmente no Pará, berço da exploração ilegal do mogno. ''O objetivo é fechar o cerco para as possibilidades de retirada da madeira do País'', salienta o coordenador-geral de fiscalização do Ibama José Lelandi. Ele acredita que pelo menos 90% das extrações de mogno realizadas hoje são clandestinas.
Para tentar reverter a situação, o Ibama determinou, através da Instrução Normativa 17/01, de 19 de outubro, a suspensão do corte, transporte e comércio de mogno no País. O órgão não tem previsão para liberar essas atividades. ''Primeiro queremos levantar as irregularidades e apontar os focos de extração ilegal'', explica Lelandi.
Ele lembra que a operação do Ibama foi realizada em cinco etapas. A primeira estratégia foi bloquear as vias de acesso para a extração do mogno e desfazer os acampamentos montados para esse fim. Na segunda fase, o Ibama bloqueou a saída das reservas indígenas paraenses, local de maior incidência na exploração do mogno. Na terceira e quarta fase foi realizado um levantamento das regiões de extração e também um rastreamento dos locais que armazenam o mogno, numa rota de 150 quilômetros entre os rios Xingu e Iriri, na região da Terra do Meio, no Pará.
Na quinta e última etapa da fiscalização do Ibama, foram enviados técnicos para verificar a situação dos principais portos suspeitos de escoar a madeira ilegalmente, como o Porto de Paranaguá. ''Se prendemos a madeira no Pará, não há como ela ser transportada para o Paraná'', acredita Lelandi. Técnicos do Ibama ficaram durante um mês no porto e apreenderam um carregamento considerado pequeno de mogno que estaria sendo exportado como se fosse cedro. O Ibama autuou a madeireira, que pode perder o registro de fiscalização.


