Belém, 05 (AE) - O superintendente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no Pará, Paulo Castelo, disse hoje que nos últimos dois meses foram apreendidos cerca de 50 mil metros cúbicos de madeira cortada, transportada e vendida ilegalmente. O que representa mais de 350 milhões de reais, valor aproximado do arrecadado pelo Estado com a exportação legal para o sudeste asiático, Europa e Estados Unidos.
A maior parte da madeira apreendida será doada a comunidades pobres para a construção de escolas, postos de saúde e creches de Belém e do interior do Pará. A outra parte será leiloada e os recursos usados na fiscalização. A atividade ilegal envolve falsificação de guias do Ibama que são esquentadas nas operações comerciais por quadrilhas que atuam no setor.
"Estou recebendo apoio do ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, para fazer cumprir a lei, doa a quem doer". disse Castelo, há cerca de dois meses no cargo. Antes do Natal ele comunicou ao ministro que sua família vem recebendo ameaças. Policiais federais acompanham Castelo dia e noite e fazem a segurança de sua residência em Belém.
Manejo - Uma das maneiras encontradas para combater a devastação indiscriminada e a extração de madeiras nobres - principalmente o mogno - em reservas indígenas é a fiscalização sobre os projetos de manejo que passaram pelo crivo inicial do órgão. "Vários projetos eu cancelei, outros ficaram pendentes, mas na verdade eu ainda não aprovei nenhum. Isso só ocorrerá quando ficar comprovado pela fiscalização que esses projetos estão sendo executados."
Segundo Castelo, há madeireiros que querem trabalhar seriamente, procurando extrair seletivamente a madeira sem devastar as florestas paraenses, mas há outros que pensam somente no lucro fácil e imediato. "No final do ano eu tive com os madeireiros uma reunião na qual 80% das reivindicações deles foram atendidas. Nós não somos o bicho-papão que vai sair massacrando todo mundo, mas a lei jamais deixará de ser cumprida."
O Ibama, observou Castelo, antes fazia que fiscalizava e os madeireiros fingiam que cumpriam a lei. O superintendente acha que os madeireiros precisam de um prazo para se adaptar à nova lei de crimes ambientais. "Vamos colocar nossos fiscais, durante esse período, não para multar, mas para orientar. Quem quiser trabalhar sério irá se adaptar. Quem não quiser terá a lei contra si."

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