O Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) apreendeu ontem na exportadora de madeiras Brasmel, de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, 15 caixas de arquivo contendo todos os documentos da empresa desde o ano de 1999. O chefe de Fiscalização do Ibama no Paraná, Paulo Roberto Mattoso Ditter, suspeita que o proprietário da madeireira, Edson Mel, tenha envolvimento com os 40 contêineres de mogno que seriam exportados ilegalmente para a África. O Ibama está à procura do carregamento desde a semana passada quando foi feita a apreensão de parte da carga em Paranaguá.

''O primeiro passo é verificar todas as notas fiscais que indiquem a procedência, entrada e saída de mogno e Autorizações para Transporte de Produtos Florestais (APPF). Se constatarmos alguma irregularidade, o causador vai ser obrigado a dizer para onde tem levado o mogno. A partir daí pretendemos chegar aos contêineres'', detalhou Ditter.

Segundo ele, o Ibama tem quatro equipes, uma em Paranaguá, outra em São Francisco do Sul (SC) e duas em Curitiba em busca da carga ''já que ainda não temos provas concretas do envolvimento da Brasmel no caso.''

O Ibama pediu autorização de mandado de busca e apreensão na empresa e casa do dono da madeireira à Polícia Federal, conforme Ditter, porque em setembro mais de mil metros cúbicos (m3) de mogno desapareceram do pátio da Brasmel e outros 190 m3 sem especificação de origem foram apreendidas há duas semanas na madeireira.

Conforme relatou Ditter, o dono da madeireira não queria deixar os funcionários do Ibama levarem os documentos da empresa. Edson Mel ficou na sede do órgão durante todo o dia de ontem acompanhando a verificação dos documentos. A reportagem da Folha foi até o Ibama para ouvir a versão de Mel, mas ele disse apenas que ''tudo não passa de um mal entendido e que vai processar o Ibama por perdas e danos''.

A Polícia Federal começou ontem a rastrear a rota dos mais de mil m3 de mogno contidos em 32 contêineres, que foram apreendidos na madrugada de sábado no Depósito Tropical em Paranaguá (Litoral do Estado). ''Só assim conseguiremos comprovar a tentativa de contrabando e exportação da madeira'', disse o delegado Evaristo Kuceki, responsável pelo inquérito. Ele descobriu que a madeira passava por Curitiba e seguia para o armazém Cilla, em Paranaguá.

O delegado teve acesso ontem às notas fiscais referentes à carga apreendida. ''Como o mogno está avaliado em mais de U$ 1 milhão, a Red Madeiras, de Curitiba, e a Pau-Brasil (do Pará), principais suspeitas, não vão querer ficar no prejuízo. Acredito que elas 'esquentaram' as notas com autorização para exportação da madeira'', afirmou.

Do continente africano, a madeira seguiria para o mercado europeu. A carga apreendida no Depósito Tropical está avaliada em US$ 1,2 milhão.

mockup