Ibama apreende 500 t de produto químico
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sexta-feira, 04 de agosto de 2000
Vânia Casado De Curitiba 
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) apreendeu 558 toneladas de um produto químico importado da China, pela Milênia Agrociências S/A, com a justificativa que é tóxico e prejudicial ao meio ambiente. O produto encontra-se embargado no Porto de Paranaguá e não pode ser removido. A apreensão foi feita em conjunto com a Polícia Federal. A Milênia vai recorrer à Justiça, na próxima
segunda-feira, para ter acesso ao produto.
O produto químico é um ácido de glifosato, que entra como princípio ativo na formulação de um dos herbicidas mais utilizados na agricultura.
Segundo Luis Cesar Guedes, diretor de Desenvolvimento da Milênia, esse produto vem sendo importado há anos e a empresa não entende por que só agora está incluído na listagem do Ibama, como produto proibido no País. Deve ser um erro de interpretação da lei, acredita o diretor.
Guedes afirma que a Milênia tem o registro do produto e a permissão de importação concedida pelo Ministério da Agricultura. Ele garante que nunca houve qualquer impedimento na importação da matéria-prima necessária para os formulados de seus produtos.
Procurado pela Folha, o representante do Ibama no Paraná, Luiz Antonio Motta Nunes de Mello, argumentou que a importação desse produto exige autorização por parte do órgão de fiscalização, o que não foi feito pela Milênia.
Mello afirmou que todo o processo de importação de produtos químicos utilizados na formulação de produtos agrotóxicos será revisto. Se a importação desses produtos tem o aval do Ministério da Agricultura, isso terá que ser revisto, sustenta.
O representante do Ibama disse que não poderia dar mais detalhes da apreensão, ontem à tarde, porque ainda não havia recebido os laudos finais. Mas garantiu que o produto ficará apreendido em Paranaguá, até o pronunciamento final da Justiça.
O diretor da Milênia insiste na dubiedade da lei e lamenta que o Ibama não esteja aceitando os argumentos oferecidos pela empresa. Guedes destaca que o volume de produto químico é expressivo e que a empresa precisa do produto para agilizar a linha de produção do glifosato. Ele observa que o momento de vendas começa agora, quando o agricultor precisa adquirir insumos para o plantio da safra de verão.


