É possível comprar, de maneira legal, um animal silvestre no Paraná, mas as regras são rígidas, com foco no bem-estar da espécie e no combate ao tráfico ilegal. Há, porém, cuidados específicos que precisam ser seguidos por quem quer ser tutor de espécies da fauna local, como papagaios, canários-da-terra, pintassilgos e sabiás, entre outros.

A mais importante delas é a obrigação de adquirir os animais de criadouros ou lojas licenciados pelo IAT (Instituto Água e Terra), autarquia vinculada à Sedest (Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável), ou pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).

Nesses casos, nota fiscal, certificado de origem e marcação (anilhas/microchip) são itens indispensáveis. O IAT reforça que é possível confirmar a regularidade do vendedor antes de finalizar a compra. A verificação pode ser feita mediante o envio do nome e CNPJ do estabelecimento para o e-mail [email protected].

Em situações de animais resgatados, a orientação é o acionamento imediato de órgãos ambientais como secretarias municipais de meio ambiente e o próprio Instituto Água e Terra. Já quando o animal estiver sem documentação legal, o indicado deve fazer a entrega voluntária ao IAT.

Vencida esta etapa formal, os cuidados passam a ser no dia a dia. “Há uma grande confusão entre o animal domesticado, como cães e gatos, e o animal silvestre. O animal silvestre tem instintos selvagens e deve ser tratado de forma diferente”, destaca o veterinário do IAT, Pedro Chaves de Camargo.

CONHECIMENTO PRÉVIO

É importante estudar e se aprofundar sobre a espécie silvestre que será cuidada antes de adquiri-la, focando nas necessidades ecológicas do animal, respeitando os hábitos e características de cada um.

O local em que o animal será criado é essencial para o bem-estar. Gaiolas pequenas, por exemplo, podem causar estresse, automutilação e depressão. Até 80% das araras e dos papagaios, segundo estudos internos, arrancam suas penas, doença conhecida como picacismo, por sofrerem de estresse crônico causado pelo manejo inadequado do animal em cativeiros impróprios.

Outro erro comum é oferecer comida humana (pão, bolacha e até sementes dependendo da espécie) para os animais. A ação causa alteração comportamental e problemas de saúde. Animais silvestres precisam de ração específica para a espécie e complementos adequados receitados por um veterinário especialista.

Também é importante lembrar que não é qualquer clínica veterinária que atende animais silvestres, por isso o custo para mantê-lo costuma ser mais alto. Já o transporte de animais silvestres exige, obrigatoriamente, autorização do Ibama ou órgão estadual, GTA (Guia de Trânsito Animal) e atestado sanitário. Animais nativos (exceto pássaros) precisam de Autorização de Transporte Interestadual via Sisfauna (Sistema Nacional de Gestão de Fauna Silvestre). O animal deve viajar em caixas de transporte seguras, forradas, com ventilação adequada e tamanho proporcional à espécie, evitando estresse, superaquecimento ou fuga.

AJUDE A FAUNA

Ao avistar algum animal silvestre ferido ou para denúncias de atividades ilegais contra animais, entre em contato por meio da Ouvidoria do Instituto Água e Terra.

Se preferir, ligue para o Disque Denúncia 181. Informe de forma objetiva e precisa a localização e o que aconteceu com o animal. Quanto mais detalhes sobre a ocorrência, melhor será a apuração dos fatos e mais rapidamente as equipes conseguem fazer o atendimento. (Informações da Agência Estadual de Notícias)

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