IAP vistoria fazenda onde houve queimada
Maurício Borges
De Apucarana
Técnicos do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) constataram ontem que, apenas uma pequena área, de cerca de 5 alqueires de pastagens da Fazenda 7 Mil, de 5.700 alqueires de área, foi consumida por queimadas nos últimos dias. A vistoria foi feita depois que o proprietário, Flávio Pinho de Almeida, registrou uma queixa na Delegacia de Jardim Alegre denunciando que 60% das áreas de pastagens da fazenda teriam sido consumidas por queimadas, supostamente iniciadas pelos sem-terra, acampados há mais de 2 anos na propriedade.
No boletim de ocorrência consta ainda que o fogo ameaçava atingir a mata nativa e matas ciliares, além de colocar em risco cerca de 8 mil cabeças de gado.
Conforme relatou o chefe do escritório do IAP, em Ivaiporã, Ari Eric Bender, após percorrer a fazenda, ficou evidente que, nas áreas atingidas, o fogo começou de fora para dentro da propriedade, principalmente nas proximidades de estradas vicinais. Segundo ele, o fogo não atingiu as matas e nem provocou a morte de qualquer animal. Pode até ser um caso de sabotagem, admite Bender, acrescentando ainda que o risco de incêndio é grande, porque não chove há 35 dias na região.
Líderes do acampamento do MST manifestaram-se revoltados com as notícias divulgadas por alguns órgãos de imprensa, dando conta de que o fogo havia consumido 800 alqueires de reserva legal e matas ciliares, além de que quatrocentas cabeças de gado teriam sido mortas pelo fogo.
Segundo Vilmar da Silva, do MST, o fogo sempre tem surgido à noite, e os sem-terra estão de prontidão para acabar com todos os focos. Ele admitiu que uma área estimada em 5 alqueires e mais um trecho de cerca foram consumidos pelo fogo. Já o advogado Elso Bittencourt, que representa o MST na região, afirmou que as queimadas também podem ter sido provocadas por vizinhos da 7 Mil, na região da Mata Canadá. Bittencourt anunciou que irá propor uma ação por denunciação caluniosa contra os autores da queixa policial, que fizeram acusações falsas, imputando responsabilidade aos integrantes do MST.





