IAP proíbe uso de água do Rio São João
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sexta-feira, 13 de agosto de 2004
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) baixou ontem uma portaria proibindo por tempo indeterminado o uso da água dos rios São João e Nhundiaquara. A proibição é válida também para todas as atividades realizadas nos rios como pesca, coleta de organismos aquáticos, práticas desportivas, banho, abastecimento doméstico, irrigação de hortaliças e de plantas frutíferas.
A medida teve como base o resultado laboratorial dos exames realizados em amostras da água dos rios, que foi contaminada com o descarrilamento de 35 vagões da América Latina Logística (ALL) transportando toneladas de farelo de milho, açúcar e soja. A carga caiu no Rio São João, que desagua no Nhundiaquara, um dos principais do litoral paranaense. De acordo com as análises, a fermentação da carga orgânica derramada gerou impacto expressivo sobre a qualidade da água provocando o desequilíbrio do meio aquático. Foram encontradas milhares de colônias de bactéria ''sphaertilus natans'' e de vermes hirudíneos (sanguessuga).
A bactéria encontrada indica intensa contaminação orgânica. ''A ingestão ou contato primário com a água contaminada por esta bactéria pode causar infecções graves no próprio ser humano'', afirmou ontem o presidente do IAP, Rasca Rodrigues. A portaria proíbe o uso da água no Rio São João desde o local do acidente até o Rio Nhundiaquara, que está sendo isolado desde o início até a baía de Paranaguá. ''O objetivo da portaria é resguardar, preventivamente, a integridade dos moradores e usuários do rio São João na área atingida pelo acidente'', informou Rodrigues.
O valor da multa para a ALL por dano ambiental ainda não foi definido. Entretanto, o diretor de Licenciamento do IAP, José Augusto Picheti, disse que a contaminação deverá influenciar no valor da multa. Segundo ele, o auto de infração só será lavrado após a retirada completa do material derramado e do resultado dos impactos causados à fauna, flora, solo e meio aquático. Os técnicos do IAP ainda não puderam verificar os danos na vegetação, porque a carga derramada ainda não foi completamente retirada.
Até agora, não foi verificada a mortande de peixes por conta da fermentação do milho e da soja. A ALL está operando desde segunda-feira com o transporte de cargas na Serra do Mar. O biológo Durval Nascimento Neto, gerente de Meio Ambiente da ALL, concessionária da malha sul ferroviária que compreende São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, informou ontem que não existe dano significativo ao meio ambiente.


