IAP pode interditar lixão de Tamarana
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sábado, 30 de janeiro de 2016
Rafael Fantin<br>Reportagem Local 
Tamarana O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) pode interditar o lixão de Tamarana, na região metropolitana de Londrina, e multar o município pelo descumprimento do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), firmado em outubro do ano passado entre prefeitura, IAP e Ministério Público (MP). Segundo a assessoria de imprensa do órgão, os prazos para realização de melhorias no local, considerado inapropriado para receber resíduos, venceram recentemente, e a prefeitura deve prestar contas nas próximas semanas ao setor de fiscalização do instituto e ao MP.
Entre as medidas acordadas e não cumpridas, estão a abertura de vala e compactação do lixo com manta de proteção para evitar a contaminação do solo, construção de um barracão de triagem, instalação de um portão para evitar a entrada de pessoas no local e campanhas para separação de lixo para coleta seletiva no município, além da proibição de resíduos industriais e da construção civil na área.
A situação ficou mais grave após as fortes chuvas que caíram nos últimos dias na região de Londrina. O lixão funciona em terreno que fica às margens do rio Apucaraninha e a enchente chegou a cobrir uma ponte de madeira localizada a cerca de 50 metros do terreno usado para descarte de resíduos. O estudante Vinícius Marcondes Filho acompanha a situação no local e afirma que os moradores de pequenas chácaras temem pela contaminação do solo e do rio, por causa da proximidade com o lixão. "Estamos divulgando fotos do local nas redes sociais para tentar mobilizar a população e cobrar uma posição do município e dos órgãos responsáveis", revela.
O secretário do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do município de Tamarana, Nivaldo Ribeiro de Amorim, garante que o alagamento não atingiu o lixão por causa da mata ciliar, o que evitou um desastre ambiental. Ele justifica que os estragos provocados pela chuva no município, que decretou estado de calamidade, atrapalhou o cronograma para a conclusão das medidas acordadas. "Vamos precisar de até 60 dias para terminar as melhorias. Neste momento, a prioridade é a recuperação dos locais atingidos por enchentes. Por isso, máquinas e servidores estão trabalhando nestas áreas", explica.
Ele lembra que três dias antes das fortes chuvas, a compactação dos resíduos foi realizada, conforme previsto no TAC. "Perdemos a máquina de compactação na chuva, mas estamos realizando o trabalho de aberturas de valetas com retroescavadeiras do município de três em três dias para evitar outros problemas, como a proliferação da dengue", afirma. Segundo o secretário, a água da chuva ainda levou a cerca de proteção e o portão da área. "Já construímos o barracão e as partes elétrica e hidráulica devem ser concluídas em breve. Ainda precisamos realizar a abertura de uma estrada para ligação entre o lixão e o barracão", detalha.
Sobre a localização do lixão, Amorim disse que Tamarana integra o Plano Intermunicipal de Gerenciamento de Resíduos composto por sete cidades, que devem começar a encaminhar o lixo gerado para um aterro sanitário localizado entre Imbaú e Telêmaco Borba. "A área passou pela vistoria do IAP e a previsão é que entre em funcionamento a partir de 2017", informa. De acordo com ele, ainda este ano será feita a implantação da coleta seletiva em Tamarana, evitando assim o encaminhamento de objetos e materiais recicláveis para o lixão. A chegada de um caminhão para coleta seletiva é prevista para a próxima semana. "Até 2018 nenhuma cidade pode ter lixão a céu aberto, mas queremos resolver esse problema antes de terminar o prazo", vislumbra Amorim, ao lembrar da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS).
Questionado sobre a contaminação do solo e do Rio Apucaraninha, o secretário respondeu que estudos devem ser realizados na área após o início da operação no aterro intermunicipal. "Em seguida, vamos fazer a recuperação ambiental da área onde funciona o lixão", garante.


