IAP pede investigação de área ocupada em Cascavel
IAP pede investigação de área ocupada em Cascavel
Paulo Pegoraro
O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) informou ontem ter solicitado a intervenção do Ministério Público (MP), da Comarca de Cascavel, para que sejam investigados possíveis danos ambientais causados por lavradores sem-terra que ocupam desde a semana passada a fazenda Refopas, a 30 quilômetros da cidade. Segundo o chefe do escritório regional do IAP, engenheiro-químico Carlos Roberto Gonçalves, há indícios de que estes danos estariam ocorrendo, com intervenções dos sem-terra em matas da propriedade de 554 hectares, e para a qual já há ordem de reintegração de posse.
Carlos Roberto Gonçalves revelou que o pedido ao MP, para abertura de inquérito pela Polícia Civil, foi acompanhado de recortes de jornais, nos quais há fotos de sem-terra com troncos e galhos de árvores cortados. No acampamento, onde estão cerca de 1,2 mil famílias, segundo o Movimento dos Sem-Terra (MST) do Paraná, é possível ver barracos montados com galhos e taquara. Isso não é permitido pela legislação, pois trata-se de mata primária degradada, frisa Gonçalves, acrescentando que a proprietária da fazenda, Maria Elisa Festugatto, solicitou várias vezes autorização para cortar árvores, mas ela foi negada por nós.
Segundo Carlos Roberto Gonçalves, não teria sentido não autorizarmos a proprietária a intervir na mata, mas consentir isso aos sem-terra. Para comprovar os danos ambientais, haverá necessidade de vistoria na fazenda. No início da semana, a Folha encontrou na entrada da propriedade (onde os sem-terra montaram barreira) uma fiscal do IAP, com uma máquina fotográfica, fazendo fotos a distância do acampamento, com visão apenas parcial. A fiscal não adentrou à clareira onde estão os barracos, e em torno dos quais está a mata de onde os sem-terra teriam retiraram galhos e taquara.
O acampamento foi formado inicialmente por cerca de 800 famílias, oriundas principalmente de Oeste e Sudoeste do estado, onde estavam em margens de rodovias, mas também por favelados urbanos. O contingente foi crescendo nos dias seguintes. Coordenadores regionais do MST, como Oiti Finkler, disseram que seriam recebidos todos os que lutam por um pedaço de terra para sobreviver. As famílias (há grande número de crianças) resistem nos barracos de lona preta sob muito frio, desde o início, e já há dois dias com chuvas.





