IAP minimiza desastre ambiental
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 18 de outubro de 2001
Carmem Murara<br> De Paranaguá 
O Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) ainda não conseguiram fazer um diagnóstico dos estragos ao meio ambiente provocados pelo vazamento de nafta na baía de Paranaguá. Mas para o secretário do Meio Ambiente, Jorge Andreguetto, o impacto ambiental será ''pequeno'' devido a alta volatividade da substância derramada pelo navio. ''A tendência é uma contaminação menor, pois o produto se evapora'', afirmou, ao comparar o acidente de ontem ao megavazamento de óleo combustível da Petrobras ocorrido nos rios Barigui e Iguaçu.
A avaliação de Andreguetto não faz côro com o ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, que classificou de ''estarrecedor'' os danos que poderão ser causados ao meio ambiente. Ambientalistas também protestaram e voltaram suas baterias contra a Petrobras.
O diretor executivo da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS), Clóvis Borges, acredita que a companhia novamente falhou. ''Isso não pode ser chamado de acidente. Foi um erro inadmissível provocado pela negligência da Petrobras'', disse ontem.
Borges criticou o atendimento ao caso. Ele afirmou que não havia lanchas especializadas e os equipamentos necessários chegaram com três horas e meia de atraso, informação confirmada pela representante do Conselho do Litoral, Esmeralda Quadros que entregou uma carta à diretoria da Petrobras pedindo mais segurança. ''O acidente aconteceu e a gente só ficou sabendo pela televisão'', protestou Esmeralda.
O presidente da Petrobras, Henri Philippe Reichstul, rebate as críticas. Ele disse que a empresa evolui na proteção ambiental, após os acidentes que provocou. ''Tivemos o pronto atendimento do Centro de Defesa do Meio Ambiente de Itajaí e de São Paulo'', afirmou.
Técnicos do Centro de Estudos do Mar da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e da Capitania dos Portos estudam a retirada da pedra na qual bateu o ''Norma''. Segundo o diretor de Estudos para Ecotoxicologia Aquática do Centro de Pesquisas de Processamento de Alimentos da UFPR, Jackson Bassfeld, as pedras já tinham sido diagnosticadas como um local vulnerável da baía. Ele disse que visitou a área e não encontrou vestígios de animais mortos. ''Se eles aparecerem, deve ser a partir de amanhã (hoje).''
A geóloga Alexandra Andrade, diretora da SPVS, avalia que a nafta pode causar danos irreparáveis ao meio ambiente. ''Ela altera os seres que vivem no mar, provocando mutação genética dos peixes e prejudicando a cadeia ecológica.
O Ministério Público Federal vai investigar o acidente com nafta. O procurador da República, João Gualberto Garcez Ramos, instaurou um inquérito civil público para apurar as causas do vazamente e a responsabiliade criminal, civil, administrativa e ambiental. Multa ainda não está fixada. (Colaborou Ellen Taborda)


