Londrina - O presidente do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Luiz Tarcísio Mossato Pinto, exonerou ontem a tarde os chefes dos escritórios regionais de Pato Branco e Francisco Beltrão (Sudoeste), acusados pela Polícia Civil de corrupção e cobrança de propina para a liberação de licenças ambientais. A publicação oficial das exonerações será feita hoje no Diário Oficial do Estado.
O IAP decretou também o afastamento de nove técnicos ambientais que trabalhavam em Pato Branco no setor de licenciamento e fiscalização ambiental. Os servidores não poderão exercer suas atividades até o fim das investigações. "Estamos fazendo também uma interferência direta nas duas regionais e vamos acompanhar muito de perto todos os processos em andamento na região", informou Luiz Mossato.
De acordo com o presidente, outros técnicos ambientais já foram encaminhados para suprir o afastamento dos investigados. "Temos uma demanda grande em Pato Branco e não poderíamos fechar o escritório. O atendimento será mantido para não prejudicar a população", garantiu.
A Polícia investigou durante três meses denúncias contra os servidores. Segundo a Polícia, os agentes públicos postergavam ou embaraçavam a liberação de licenças do IAP quando empresários não concordavam em pagar a propina. Em muitos casos, os pedidos atendiam todas as exigências da lei ambiental e mesmo assim não eram autorizados.
O chefe do escritório de Pato Branco, Silvio Hasse, relatou que está "tranquilo" em relação às denúncias e à disposição para qualquer esclarecimento à Justiça.
De acordo com Hasse, ele assumiu a regional há 60 dias justamente com o objetivo de desmanchar uma quadrilha instalada no órgão há pelo menos 10 anos. "Na cidade todo mundo sabia que o IAP em Pato Branco só funcionava com propina. No período em estou aqui inúmeros empresários me relataram pedidos de dinheiro por parte dos técnicos", afirmou.
Hasse confirmou que se reuniu com o empresário que fez a denúncia para a Polícia sobre o pedido de R$ 700 mil para a liberação de um loteamento residencial em Pato Branco. "Combinei um segundo encontro com ele para simularmos a entrega de R$ 300 mil e darmos o flagrante no técnico ambiental que pediu a propina. E antes disso a polícia desencadeou a ação. Está nos autos o nome do servidor corrupto", garantiu.
Sobre a sua exoneração, Hasse entende que era realmente o que tinha que ser feito. "Não há problema nenhum. Estou pronto para falar às autoridades tudo que eu ouvia dentro do órgão a respeito de corrupção e propina", ressaltou Silvio Hasse.
A FOLHA tentou vários contatos com o chefe do IAP em Francisco Beltrão, José Wilson Carvalho, e com o técnico ambiental de Pato Branco, Milton Zucchi, mas eles não atenderam as ligações nem retornaram os pedidos de entrevista.

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