Curitiba- A ferrovia que liga Curitiba a Paranaguá, cortando a Serra do Mar, ficará embargada por tempo indeterminado, até que a América Latina Logística (ALL) concessionária da linha férrea da malha sul desde 1997 assine um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) junto ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP) comprometendo-se a cumprir, em prazos pré-estabelecidos, todas as exigências de proteção ambiental e técnicas previstas no documento.
O presidente do IAP, Rasca Rodrigues, que anunciou a decisão ontem de manhã, acredita que o termo deve ser concluído no prazo de 15 dias. ''Depois é só a ALL assinar. Até lá, a ferrovia fica paralisada'', disse. A decisão de fechar a ferrovia foi tomada em função do acidente ocorrido na madrugada de segunda-feira.
Os vagões carregados de farelo de soja, açúcar e milho, que seguiam em direção ao Porto de Paranaguá, despencaram de uma altura de cerca de 50 metros, causando grandes danos à vegetação local, que faz parte do Parque Estadual do Marumbi. Ontem, o IAP também constatou que parte da carga já escoou para dentro do Rio São João. Na Usina Marumbi, em Engenheiro Lange, técnicos encontraram milho espalhado na água.
Esse era um dos temores dos ambientalistas. ''No rio, material orgânico como o farelo, soja, milho podem fermentar, retirando o oxigênio da água, e causando a morte de peixes e flora aquática'', explicou o diretor de Controle de Recursos Ambientais do IAP, José Augusto Picheth. Em março, segundo ele, depois de um acidente de menor proporção, que contaminou o Rio Caninana, na Serra do Mar, foram coletados cerca de 400 quilos de peixes mortos, e outros foram resgatados do ambiente. Desta vez, a situação é mais crítica em função da chuva, que ajuda a carregar o produto para a água.
O Termo de Ajustamento Ambiental será redigido a partir de duas frentes de estudo. O IAP, responsável por definir as medidas de garantia à segurança ambiental, fará três exigências básicas. A ALL deverá apresentar auditoria com um plano de contingência, citando as ações necessárias para que atenda sua demanda; uma auditoria com um plano de emergência, abordando a ação necessária em casos de socorro; e uma auditoria sobre as atividades da empresa, que especifique dados como percursos realizados, volume de carga transportada, entre outros.
No setor operacional, um ''pool'' de entidades está encarregada de fazer uma avaliação do quadro atual da ALL e propor as mudanças técnicas necessárias.

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