O laboratório do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) em Londrina constatou índice de poluentes 70% acima do permitido no trecho do Rio Laranjinha próximo à Usina Dail Destilaria de Álcool - na divisa dos município de Ibaiti e Congoinhas (norte pioneiro). A coleta de amostras da água foi realizada na semana passada a pedido do Ministério Público, que investiga denúncia de poluição pela empresa. Durante a operação, os fiscais ambientais constataram um vazamento de resíduos diretamente no corpo do rio.
O chefe do IAP em Jacarezinho, Venilton Pacheco Muccilo, afirmou que o índice de poluentes bioquímicos neste local atingiu 340 pontos numa escala em que 200 é o nível máximo legal. Apesar disso, ele afirmou que ainda não há definição sobre autuação ou multa ambiental.
''Não estou vendo maiores problemas, a amostra deu alguma coisa fora do padrão, mas nada excepcional. Quero crer que não haja nenhuma implicação maior'', afirmou. ''A amostra coletada abaixo da empresa mostrou que a carga (poluente) dimuiniu rapidamente. Em tese haveria poluição apenas numa faixa de 30 metros.''
Venilton Muccilo acrescentou que o IAP vai analisar a proporção do dano antes de definir possível autuação da usina. ''O resultado é relativo. Por exemplo, se você jogar uma quantidade mínima de produto altamente poluente no oceano, provavelmente terá efeito muito pequeno'', comparou.
Fiscais do IAP vão realizar uma vistoria nas dependências da Usina Dail nesta sexta-feira para verificar a eficiência do sistema de tratamento de resíduos. Na próxima semana, o laboratório do IAP deve divulgar resultado de análise da água coletada nas proximidades de outras duas empresas que operam nas margens do rio - que também é conhecido como Rio do Peixe.
A reportagem não conseguiu localizar ontem o advogado da Usina Dail, Paulo Cesar Bueno. Em entrevista na semana passada ele garantiu que a empresa não faz qualquer lançamento de resíduos no rio.
O Ministério Público conduz investigação sigilosa sobre o caso, mas a Folha apurou que o inquérito está 99% pronto. A assessoria de imprensa do MP informou que o órgão está aguardando cópia do laudo feito pelo IAP.
A denúncia que motivou a investigação indica que a usina também estaria ocupando ilegalmente a mata ciliar e áreas de nascentes.

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