Curitiba- O transporte de cargas pela malha férrea entre Curitiba e Paranaguá volta a operar normalmente na segunda-feira. A decisão foi tomada ontem depois da assinatura do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) feito pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) para garantir a segurança do transporte na Serra do Mar, evitando acidentes como o que ocorreu no último dia 19, quando 35 vagões descarrilaram. Com a assinatura da América Latina Logística (ALL) se comprometendo a cumprir todas as exigências do IAP, o embargo foi suspenso.
A ALL terá 90 dias para retirar todos os vagões envolvidos no acidente no entorno do Rio São João. Em 30 dias, a concessionária da malha sul ferroviária (que inclui os estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) deverá apresentar ao IAP um relatório de manutenção do trecho ferroviário, com cronograma das melhorias a serem efetuadas. A empresa também terá que apresentar a análise de risco ambiental do trecho, que irá apontar os locais mais propensos a acidentes.
Ainda no sentido de prevenir danos ambientais, foi solicitada à empresa a elaboração de um plano de contingência mais detalhado, que deverá ser entregue em 90 dias. ''O fundamental é que agora construiremos um trecho diferenciado de toda a malha ferroviária. Vai ser um trecho especial. A intenção é evitar acidentes e riscos ao meio ambiente'', afirmou ontem Rasca Rodrigues, presidente do IAP, em entrevista à Folha.
O novo plano deverá apresentar ainda um mapa de sensibilidade ambiental, apontando as características biológicas e geológicas do ecossistema por onde passa a ferrovia. A empresa terá que realizar três auditorias para conseguir a regularização total, já que estará apenas tendo uma licença ambiental provisória que poderá ser suspensa novamente caso as exigências não sejam cumpridas.
A primeira auditoria a ser feita é voltada à questão ambiental, outra irá apontar as condições de trabalho oferecidas pela ALL, e uma terceira irá avaliar a infra-estrutura da ferrovia. As auditorias da ALL serão auditadas depois pelo IAP.
Num prazo de três meses, a ALL deverá elaborar um sistema de proteção da Serra do Mar. Além dessas exigências a serem apresentadas ao IAP, a ALL terá que apresentar à Secretaria de Estado da Cultura um projeto de restauração da ponte sobre o rio São João. O não cumprimento dos prazos irá acarretar multa de R$ 10 mil por dia a empresa.
A assessoria de imprensa da ALL prevê que as obras de recuperação da ponte sobre o Rio São João sejam concluídas ainda neste domingo, dando ''total segurança'' e condições de tráfego no local. A partir desta segunda-feira, terá início a segunda fase da obra, que consiste na retirada dos vagões e da carga que ficou embaixo da ponte.

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