IAP apreende madeira em Rio Bonito
Paulo Pegoraro
De Cascavel
Fiscais do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) apreenderam na noite de anteontem e madrugada de ontem caminhões carregados de toras, cortadas ilegalmente dos assentamentos Marcos Freire e Ireno Alves dos Santos, no município de Rio Bonito do Iguaçu (180 quilômetros ao sul de Cascavel). A apreensão teve participação direta do próprio Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) do Paraná, através de coordenadores do Ireno Alves dos Santos. Na área, estão cerca de 900 famílias, que ocuparam 16,9 mil hectares em 96.
A Polícia Militar participou da ação, e prendeu os motoristas dos caminhões, e dois gerentes de serrarias. São eles Sandro Vieira do Nascimento, da B.W. Madeiras, de Saudades do Iguaçu, e Edson Luiz Fabiani, da Madeireira Sulinas do Paraná, de Sulina. Na primeira serraria foram encontrados 800 metros cúbicos de toras e 120 metros cúbicos de madeira serrada. Para a Sulinas, estavam sendo enviados dois caminhões, com 14 metros cúbicos de toras, nos dois casos de árvores de matas de preservação obrigatória.
O IAP e a Polícia investigam ainda o possível envolvimento de uma madeireira de Chopinzinho, de propriedade de Lino Comelli, na recepção de toras. Outros madeireiros também estão sendo investigados, mas o chefe regional do IAP, Celso Alves de Araújo, prefere não apontá-los como responsáveis diretos, e nem a extensão de seu envolvimento. Estamos conferindo notas e outros documentos, para saber se em alguns casos estavam autorizados ao corte de madeira, explicou.
Coordenadores do MST, que vinham mantendo rusgas com o IAP na região, barraram quatro caminhões às 2h40 de ontem, na saída dos assentamentos, e imediatamente procuraram a Polícia e os fiscais do instituto, para formalizar a apreensão e detenção dos motoristas. Há um mês, os coordenadores, como Jaime Callegaro, do Ireno Alves dos Santos, de 900 famílias, haviam criticado o IAP por ter investido contra serras tico-tico encontradas neste local, mas fazer vistas grossas às madeireiras o que é negado por Celso Alves de Araújo.
Depois das críticas, os fiscais do IAP também fizeram apreensões (e, a Polícia, detenções) no Assentamento Marcos Freire, de 600 famílias, que formaram grupo dissidente do MST. Neste local, e no Ireno Alves dos Santos, que somam área de 16,9 mil hectares, incêndios estão destruindo grandes extensões de matas, mas é possível observar em inúmeros pontos que árvores mais grossas, que oferecem madeira de qualidade, já haviam sido cortadas.
Celso Alves de Araújo observa que, possivelmente, os madeireiros tenham decidido apressar a retirada de toras da área para que elas não fossem também atingidas pelo fogo, por isso a concentração de caminhões a partir da noite de anteontem. O IAP mantinha fiscais na região, até a tarde de ontem. Eles devem continuar mobilizados nos próximos dias, para coibir o corte em áreas de preservação, que atinge madeiras como marfim, peroba e cedro, de grande valor comercial.





