Curitiba - O presidente do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Rasca Rodrigues, ameaçou romper o bloqueio de cerca de 80 famílias ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na fazenda da Agropecuária São Rafael, em Antonina, no litoral paranaense, para efetivamente fazer a vistoria da área. Desde segunda-feira, técnicos do IAP e policiais do Batalhão de Polícia Florestal (BPflor) estão tentando entrar na fazenda, mas são sistematicamente impedidos pelos invasores. ''Não conseguimos até agora ter acesso ao local. Nem de carro, nem mesmo a pé. Não temos informações concretas de como está a área. Amanhã (hoje) vamos entrar na fazenda, com o auxílio de outros órgãos governamentais ou não'', avisou Rodrigues.
A vistoria da fazenda foi uma solicitação do próprio MST, que denunciou a prática de crimes ambientais, como o desvio de rio e a derrubada de matas, pela Agropecuária São Rafael. A fazenda está dentro da Área de Proteção Ambiental (APA) de Guaraqueçaba. O MST, segundo declarações do coordenador estadual do movimento Roberto Baggio, quer que a propriedade e outras terras vizinhas sejam destinadas à reforma agrária. ''É isso que está estranho. Se queriam que fizéssemos a vistoria, porque não nos deixam entrar na área'', questionou ontem Rodrigues, bastante preocupado com a situação da fazenda.
As famílias acampadas na estrada solicitam a presença de representantes do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) do Paraná para liberação da vistoria. Apesar de fazer vários contatos, Rodrigues disse que não havia ainda conseguido falar com técnicos do Incra para acertar um encontro em conjunto. O superintendente do Incra, Celso Lisboa de Lacerda, disse estar preocupado com a situação da área que não comportaria assentamentos rurais. Ele pretende enviar técnicos para a área ainda hoje.
O dono da área, Pedro Paulo Pamplona, que nega as acusações de crime ambiental, conseguiu mandado judicial de reintegração de posse no mesmo dia da ocupação (31 de março). A Secretaria de Estado da Segurança Pública foi notificada na última sexta-feira, mas avisou, pela assessoria de imprensa, que só faria a desocupação depois que o IAP apresentasse o laudo da vistoria. A Casa Militar foi informada ontem sobre a situação tensa no local e poderá comandar um acompanhamento tático da área com equipes de policiais militares para facilitar o acesso das equipes do IAP e do Incra.
A assessoria do MST foi procurada ontem pela Folha mas não retornou aos telefonemas.

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