Londrina - O Hospital Doutor Anísio Figueiredo, conhecido como Hospital da Zona Norte (HZN), retoma hoje as cirurgias eletivas. A data havia sido estabelecida no dia 5 de junho, quando foi realizada uma audiência pública para fazer uma radiografia da saúde em Londrina. Na época foram levantados 18 pontos críticos, entre eles a crise da ortopedia, agravada quando o Hospital Ortopédico de Londrina suspendeu o atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O problema vem sendo acompanhado pela Comissão de Seguridade da Câmara Municipal de Londrina, que apontou uma fila de 2,4 mil cirurgias e 18 mil consultas ortopédicas na cidade.
Na tarde de ontem, a sala de espera do HZN estava com poucos pacientes. Um dos poucos atendidos durante o plantão foi o agricultor Benedito Garcia, de 50 anos. Ele sofreu uma fratura na perna no fim de semana e constatou, após passar por radiografia, que havia quebrado também o tornozelo. "Escorreguei e deu nisso", lamentou ele, que foi atendido por um clínico geral.
Atualmente, o plantão 24 horas está descoberto e funciona apenas três dias por semana no HZN. Na tarde de ontem, a dona de casa Cristiane Fernandes de Almeida, de 40 anos, que estava com uma torção no pé foi informada pela recepcionista que não havia médicos para atendê-la. Ela teve que se deslocar para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) no Jardim Sabará e só foi atendida duas horas depois de ter ido ao HZN. Segundo a assessoria de comunicação da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), no dia 17 de outubro será aberto um edital para a contratação de profissionais para que o atendimento seja realizado nos demais dias.
Oito ortopedistas e sete anestesistas que já trabalhavam no local e que estavam parados por falta de salas de cirurgia começarão a fazer cirurgias eletivas com a instalação dos equipamentos adquiridos pelo Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paranapanema (Cismepar) tanto no HZN como no Hospital Dr. Ignácio Eulalino de Andrade, também conhecido como Hospital da Zona Sul (HZS).
A vereadora Lenir de Assis (PT), da Comissão de Seguridade Social da Câmara Municipal, relatou que os hospitais vêm solicitando recursos extras ao governo do Estado.

Plantões
Sobre a falta de médicos no Hospital Zona Norte de Londrina, registrada no domingo, a Sesa emitiu nota informando que o problema foi pontual e que a situação já foi regularizada. Com a falta dos plantonistas, não houve atendimento aos pacientes do Siate e Samu, que foram encaminhados para outros serviços de saúde do município.
A nota informa que a Sesa orientou os serviços de emergência para que os casos graves fossem atendidos nos demais hospitais de referência do município – HU, Evangélico e Santa Casa. O texto diz também que os médicos plantonistas que atuam no Hospital Zona Norte são contratados através de um convênio da Sesa com o Cismepar e que a secretaria e o consórcio estão estudando novas propostas para pagamento dos plantões de forma a preencher as escalas de plantões de fim de semana.
O diretor do HZN, Diego Janesch, argumentou que o País inteiro vive uma realidade de falta de médicos no serviço público. Já o presidente da Comissão Permanente de Licitação do Cismepar, Luis Lino de Almeida Júnior, destacou que municípios menores têm oferecido vagas de trabalho a preços mais convidativos e com menos carga de trabalho e os médicos têm optado por elas.
A reportagem também procurou o Secretário Municipal de Saúde, Francisco Eugênio de Souza, para falar sobre o papel do município no aparelhamento e aumento de profissionais das unidades de saúde municipais, mas ele estava em reunião e não pôde atender a reportagem.

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