São Paulo, 26 (AE) - A marca coreana Hyundai vai tentar, pela terceira vez, se estabelecer no Brasil. Depois do fracasso de dois grupos importadores, os veículos serão agora vendidos pelo empresário Carlos Alberto Oliveira Andrade, proprietário do grupo CAOA. Oliveira Andrade armou uma operação agressiva para tentar reconquistar o consumidor. Até o final do ano ele promete gastar US$ 100 milhões, na criação de uma rede de 80 concessionários, garantia de quatro anos para os carros, estoque de peças, atendimento em todo o Mercosul, consórcio e até um contrato com o Banco Ford, que pela primeira vez vai financiar veículos de outra empresa.
A retomada dos negócios da Hyundai no Brasil inclui o lançamento de dois novos carros: o compacto Atos 1.0, que custará R$ 19.950 na versão mais simples, e o modelo coupe 2.0, a preços entre R$ 49.950 e R$ 54.950. A marca coreana também venderá modelos que já foram comercializados no Brasil: o médio Accent, o luxuoso Sonata e a Van H100, além de uma linha de caminhões pequenos Porter. Oliveira Andrade promete trazer também um jipe.
O primeiro lote de 2 mil veículos está sendo retirado do porto de Vitória hoje e deverá chegar para o consumidor até o final do mês. A meta é vender 14 mil veículos este ano e 20 mil no próximo. Oliveira Andrade já nomeou 37 concessionárias, das quais 11 pertencem a ele. Para reconquistar a confiança do consumidor, o grupo CAOA vai dar garantia de quatro anos para os novos veículos e colocará serviço de atendimento telefônico para os proprietários dos 20 mil automóveis Hyundai que já rodam no País. A importação da marca ficou suspensa durante cerca de um ano. O grupo CAOA vai investir US$ 8 milhões no marketing da Hyundai.
Apesar de estar inscrito no regime automotivo do Nordeste, o grupo CAOA não vai utilizar o benefício de redução de 32% no IPI para importar os carros da marca Hyundai. Oliveira Andrade explicou que prefere não se valer dos incentivos fiscais antes de ter certeza de que a fábrica que os coreanos planejam realmente será construída. A Asia Motors, do grupo Kia, que foi comprado pela Hyundai, deixou no Brasil uma dívida de R$ 140 milhões por ter se beneficiado dos incentivos fiscais do regime automotivo sem construir a fábrica que prometeu na Bahia.
Oliveira Andrade criou o grupo CAOA há 22 anos depois de desistir da profissão de médico na Paraíba, onde nasceu. Hoje ele é o maior revendedor Ford do País, com quase 10% das vendas da marca, tem mais duas concessionárias Ford na Espanha, é importador da marca japonesa Subaru, associou-se ao fabricante de óleos lubrificantes francês Elf e em dezembro fechou contrato com a Hyundai.

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