Phnom Penh, 17 (AE-AP) - No 25º aniversário da tomada de Phnom Penh pelo Khmer Vermelho, o primeiro-ministro cambojano Hun Sen mostrou-se hoje favorável a um modelo de tribunal internacional proposto pelas Nações Unidas para julgar os dirigentes do grupo maoísta, responsável pelo genocídio de 1,7 milhão de cambojanos nos anos 70.
Após mais de um ano de disputas e negociações entre o governo cambojano e a Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o tribunal, Hun Sen anunciou que a última proposta da organização era aceitável.
O primeiro-ministro voltou hoje de Cuba, onde participou da cúpula do G-77 e conversou com o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, e o com senador norte-americano John Kerry, que lhe apresentaram o novo plano sobre o tribunal.
O Camboja e a ONU não haviam chegado a um acordo até agora, pois os dois queriam ter a maioria dos juízes no tribunal. O governo achava que deveria controlar o tribunal, mas a ONU desconfiava dos juízes cambojanos.
Hun Sen disse que hoje era um dia alegre e triste. "Um dia alegre, pois 17 de abril de 1975 marcou o fim da intervenção americana no Camboja. Mas um dia sombrio, porque começou o desastre do Khmer Vermelho para o povo cambojano", explicou ele
um ex-khmer nos anos 70.
O governo não organizou nenhuma cerimônia, mas o partido de oposição liderado por Sam Rainsy mobilizou várias centenas de monges e partidários em Choeung Ek, um ex-campo de extermínio na periferia da capital onde estão sepultados os restos de 20.000 vítimas.
Pol Pot, o principal líder do Khmer Vermelho, morreu supostamente de ataque cardíaco em 1998, mas pelo menos uma dúzia de ex-dirigentes khmers continuam livres no Camboja, beneficiados por acordos de deserção negociados por Hun Sen para pôr fim à insurgência.
A busca de justiça para as vítimas de um dos piores crimes coletivos dos século 20 tem sido tema de intenso debate desde a queda do grupo guerrilheiro.
"O único meio de exorcizar o fantasma de Pol Pot e permitir que o Camboja comece a se desenvolver sobre uma base sólida é estabelecer um tribunal internacional e independente para julgar os principais líderes do Khmer Vermelho e ventilar a verdade", disse Rainsy.
O líder da oposição vinha criticando o governo de Hun Sen e acusando-o de "não ter desejo político" para criar um tribunal e julgar os ex-líderes khmers ainda vivos.
Em 17 de abril de 1975, o Khmer Vermelho, um exército de combatentes guerrilheiros, saiu da selva para impor no Camboja um dos regimes mais violentos do século, no qual a religião, o dinheiro e as tradições familiares foram abolidos em uma cruel imposição de uma "utopia agrária".
O Khmer Vermelho foi derrubado por uma invasão vietnamita depois de quase quatro anos no poder, mas continuou travando uma guerra contra os sucessivos governos em Phnom Penh até o fim da década passada.

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