Hummes será o sucessor de Arns em SP
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quarta-feira, 15 de abril de 1998
Agência Folha 
Depois de 32 anos à frente da Arquidiocese de São Paulo, o cardeal arcebispo dom Paulo Evaristo Arns, 76, anunciou ontem que dom Cláudio Hummes, 63, atual arcebispo de Fortaleza (CE), foi nomeado pelo Vaticano como seu sucessor. A substituição de dom Paulo era esperada desde setembro de 96, quando ele completou 75 anos, a idade-limite para a aposentadoria determinada pelas leis da Igreja Católica.
A posse acontecerá na Catedral da Sé no próximo dia 23 de maio. Até lá, dom Paulo permanecerá como administrador apostólico da arquidiocese, por determinação do Vaticano.
Dom Paulo foi comunicado sobre o nome de seu sucessor no sábado, durante visita do núncio apostólico do Vaticano no Brasil, dom Alfio Rapisarda. Ontem, dom Paulo afirmou que, consultado pelo Vaticano, indicou três nomes para substituí-lo. O nome de dom Cláudio não estava entre eles. Nem pensei que pudesse indicar o nome de dom Cláudio. Ele acabava de ser nomeado arcebispo de Fortaleza. Os nomes que indiquei ficam em segredo no meu coração, disse.
O cardeal ressaltou as qualidades de seu sucessor. A principal, segundo ele, é que dom Cláudio conhece bem os problemas da cidade.
Ontem também foi criada uma nova diocese em São Paulo, sendo desmembrada da arquidiocese de Sorocaba. A diocese de Itapetininga (interior do Estado) terá como bispo o padre Gorgônio Alves da Encarnação Neto. Na cidade de Toledo (PR), foi eleito como bispo da diocese o padre Anuar Battisti, e, em Garanhuns (interior de PE), foi eleito como bispo para a diocese o padre Irineu Roque Scherer. Além deles, ainda foi confirmado como bispo da diocese de Balsas (MA) dom Franco Masserdotti.
Apesar da fama de conservador, a indicação de dom Cláudio Hummes foi festejada por setores da chamada esquerda brasileira. Dom Cláudio é uma bela figura. Fico muito feliz com a sua escolha, disse Luiz Inácio Lula da Silva. Principal líder sindical das greves metalúrgicas do ABC paulista entre 1978 e 1982, Lula se emociona ao falar do apoio de dom Cláudio ao movimento grevista. Ele foi extraordinário sob todos os aspectos. Foi solidário às nossas famílias e aos trabalhadores, afirmou.
Outro líder grevista da época, o deputado estadual paulista Djalma Bom (PT) discorda da avaliação de que dom Cláudio virou um conservador. Temos que compreender que os tempos hoje são diferentes e que a conjuntura não é a mais a de 15 anos atrás, disse. Tem gente que me vê como conservador.
Caso Diniz Dom Paulo Evaristo Arns assumiu ontem o papel de mediador entre os sequestradores do empresário Abílio Diniz e o governo federal. O convite ao cardeal foi feito pelos próprios sequestradores. Eles estão em greve de fome desde às 6 horas de segunda-feira. O porta-voz da Presidência da República, Sergio Amaral, reafirmou que está completamente descartada a possibilidade de o Brasil expulsar os sequestradores do empresário.


