Humboldt volta a viajar após 200 anos
Sandra Weiss
France Presse
Da Cidade do México
Para fugir da boca de um crocodilo faminto, é preciso furar os olhos do réptil: essa foi uma das lições que o geólogo alemão Alexander von Humboldt (foto) aprendeu durante sua viagem de 10 mil km pela América Latina, há 200 anos.
Dois séculos depois de sua chegada a Cumaná (Venezuela) a 16 de julho de 1799, o segundo descobridor da América Latina, como lhe chamou o libertador Simón Bolívar, percorre de novo o continente latino-americano.
Com exposições itinerantes, reedições de seus livros em espanhol, o governo alemão tenta lembrar o cientista, que é - ao lado do escritor Goethe - o personagem alemão histórico mais conhecido na América Latina.
Humboldt era uma estrela do século XIX, explicou o geólogo e professor da Universidad de Bonn, Hanno Beck, à AFP.
Amigo de Goethe, de Bolívar, de Chateaubriand e de Rossini, o engenheiro alemão foi recebido pelo imperador francês Napoleão Bonaparte, pelo rei da Prússia e pelo presidente americano Thomas Jefferson, com quem discutiu a idéia de construir o interoceânico canal do Panamá.
Sua fama não se explica apenas por seus méritos científicos. Era um aventureiro, um humanista e um ecologista, embora em sua época não existisse este termo, disse Beck. Minha tarefa é relacionar o conhecido, mostrar a interação das forças da natureza, dizia Humboldt.
Seu ensaio político sobre a ilha de Cuba foi proíbido pelas autoridades coloniais da ilha caribenha porque Humboldt fustigou a escravidão como um dos flagelos maiores de sua época.
Com seu amigo, o botânico francês Aimé Bonpland, Humboldt colecionou durante cinco anos de sua viagem pela América (1799-1804) milhares de plantas, pedras e animais na Venzuela, Colômbia, Peru, Equador, México e Cuba.
Sua obra Cosmos, escrita em sua volta a Berlim, foi um êxito de venda e ao mesmo tempo uma referência para os libertadores como Bolívar e San Martín que viram nele uma fonte de orgulho, e para as companhias européias de mineração que chegaram para se apoderar dos recursos naturais descritos por Humboldt.
O cientista, que morreu com quase 90 anos em 1859 em Berlim, nunca pôde realizar seu sonho e voltar à América Latina.





