São Paulo, 09 (AE) - Esta é a segunda vez que a humanidade vive um clima de apreensão relacionado ao fim do mundo e à passagem de milênio. Para se ter uma idéia, as grandes catedrais da Europa só foram erguidas após a virada para o primeiro milênio. "Como todos acreditavam que o mundo iria acabar, não se levou adiante as grandes obras", explica o padre Pedro Carlos Cipolini, professor de Teologia da Pontifícia Universidade Católica de Campinass (Puccamp)
Segundo ele, é natural que a preocupação volte à tona neste fim de milênio, ainda mais sendo reforçada pela notícia do eclipse e da conjunção astral que ocorrerá quarta-feira (11). "Tem grande apelo fantástico", diz. "Apesar de tudo, acredito que nada acontecerá amanhã, pois o fim do mundo no cristianismo não está ligado ao destrutivo, mas a uma visão positiva."
Do ponto de vista religioso, embora a perspectiva de fim de mundo exista, de certa forma está ligada à idéia da ressurreição. Essa concepção traz um alento às pessoas, pois o fim do mundo revelaria um mundo melhor.
Cipolinio explica que o medo do fim do mundo também está ligado a outra maneira de conceber Deus e revela resquícios de uma cultura marcada pelos medos medievais. Em vez de Deus ser o salvador, é o vingador. "As pessoas se apavoram com a idéia de um Deus que vai condenar e destruir", afirma.
Pároco da Igreja Nossa Senhora do Fátima, em Campinas, o padre diz que muitos de seus paroquianos questionaram a notícia sobre o fim do mundo. "Mas os constantes anúncios de que o mundo vai acabar desmoralizaram a notícia", afirma.

mockup