HU vai fazer transplante de medula óssea
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quarta-feira, 15 de dezembro de 2004
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Dentro de dois anos os hospitais das universidades estaduais de Londrina (UEL) e de Maringá (UEM) devem começar a realizar transplantes de medula óssea. Com isso, o Paraná aumentará em até 50% a quantidade de transplantes que hoje são feitos apenas pelo Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Federal do Paraná (UFPR). É esse o objetivo da Rede Paranaense de Terapia Celular, lançada ontem pela Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, em parceria com o HC/UFPR e as duas universidades estaduais.
Com recursos do Fundo Paraná, oriundos do tesouro estadual, o programa prevê investimentos de R$ 4,5 milhões em compra de equipamentos, obras de ampliação e treinamento de pessoal, além da implementação de novos projetos de pesquisa na área. O principal objetivo do Governo estadual, com o programa, é aumentar a capacidade de realização do transplante no Estado. No Brasil, estima-se que entre 500 a mil pacientes estão no processo pré-transplante, em busca de doadores de medula ou aguardando uma vaga para realizar o processo. No Paraná, cerca de 250 pacientes aguardam para realizar o transplante.
Criado em 1979 e pioneiro no Brasil, nesses 25 anos o Serviço de Transplante de Medula Óssea (TMO) do HC realizou 1.560 transplantes, o correspondente a 40% dos transplantes realizados em todo Brasil. Segundo o diretor do HC, Giovanni Loddo, o HC se destaca porque é um dos únicos locais que realiza transplantes entre não parentes. Com oito leitos, e 140 profisionais no setor, o HC realiza em média oito transplantes por mês, o equivalente a 100 procedimentos anualmente.
A estrutura é insuficiente para atender a demanda. O ideal, de acordo com Loddo, seria ter o dobro de leitos e ter mais 100 profisionais, de modo a aumentar para 14 transplantes por mês. Outro problema é o alto custo do procedimento. Pago pelo Sistema Único de Saúde (SUS), um transplante custa em média R$ 50 mil, mas o valor pode subir até R$ 150 mil em casos mais complicados.
Outro problema, de acordo com o responsável pelo Serviço de Transplante de Medula Óssea do HC, Ricardo Pasquini, outra restrição para aumentar o número de transplantes é a carência de profissionais especializados. ''Como o serviço é sempre vinculado ao sistema público, que pratica baixa remuneração, poucos profissionais se interessam'', explica.
Além de criar duas unidades piloto nos hospitais de Maringá e Londrina, o projeto também prevê a expansão no número de leitos no HC. ''Um dos pontos mais importantes do programa é a descentralização das ações de Curitiba'', avalia a reitora da UEL, Lígia Pupatto. Hoje a maioria dos pacientes do HC é de outras localidades e, junto com familiares, permanece muito tempo na Capital, no pré e pós-operatório.


