Mesmo com a desinfecção dos ambientes onde estavam os pacientes colonizados com a bactéria multirresistente Klebsiella Pneumoniae Carbapenemase (KPC) e a liberação gradual dos setores interditados há 11 dias, funcionários e pacientes do Hospital Universitário (HU) de Londrina terão que conviver com a ameaça, admitiu a superintendente, médica Margarida Carvalho. Ontem a noite, a unidade feminina do pronto-socorro voltou a atender normalmente e também foi atualizado o número de doentes colonizados e suspeitos: desde 23 de julho foram 33 casos (mais quatro positivos ontem) e outras 24 suspeitas.
A superintendente do HU reforçou que continuam com atendimento restrito o pronto-socorro masculino, as unidades de terapia intensiva (UTI) para adultos e o Centro de Tratamento de Queimados (CTQ). A reabertura do PS masculino só irá ocorrer quando os cinco pacientes internados - três deles são suspeitos para KPC - receberem alta ou forem positivados e transferidos para o isolamento, onde permanecem internados os 19 pacientes colonizados com a bactéria.
Margarida adiantou que a normalização total do atendimento será analisada na próxima sexta-feira. Até lá, a direção do HU manterá as medidas de contenção para evitar a proliferação da bactéria tais como: restrição das visitas, aceleração das internações domiciliares e das altas médicas, além da desinfecção dos ambientes e a restrição de novas internações.
Mesmo assim, a superintendente do HU admitiu que será praticamente impossível exterminar a bactéria KPC do ambiente, situação que é agravada pelo problema da superlotação diária do hospital, que é o maior do interior do Paraná e o terceiro do Sul do país. ''Esperamos que não tenhamos (que restringir o atendimento novamente) mas estamos lidando com uma bactéria multirresistente, transmitida pelo contato, e pode ser que não consigamos este controle'', afirmou Margarida. Por isso, ela reforçou a necessidade de adoção de hábitos simples, como lavar as mãos com água e sabão, orientar visitantes a evitar o toque nos pacientes e exigir que os uniformes dos funcionários sejam usados apenas dentro do HU.
A KPC foi identificada pela primeira vez no hospital em abril do ano passado e provocou a interrupção do atendimento por um mês. A suspeita é de que tenha sido introduzida no HU por um paciente transferido de Goiás. Desde então, a bactéria passou a ser monitorada e controlada até que, em 23 de julho deste ano, houve um rápido aumento do número de pacientes colonizados e o atendimento teve que ser restringido novamente.

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