Londrina - Entre fevereiro do ano passado e ontem, o Hospital Universitário (HU) da Universidade Estadual de Londrina (UEL) confirmou 231 casos de pacientes colonizados ou infectados com a bactéria Klebsiella pneumoniae Carbapenemase (KPC). Até o fechamento desta edição, havia 22 pacientes colonizados com a superbactéria, que é resistente aos antibióticos mais potentes disponíveis no mercado. Por enquanto não há previsão de restringir o atendimento, como aconteceu em duas outras ocasiões desde o início de 2009. Em todo o Estado, nove grandes hospitais já teriam confirmado ou suspeitado da presença do microorganismo.
A superintendente do HU, a pediatra Margarida de Fátima Carvalho, detalhou que os pacientes colonizados estão isolados em salas na enfermaria (13 casos) pronto-socorro (3), unidade de terapia intensiva adulta (4) e no Centro de Tratamento de Queimados (2). Ela afirmou que o número de casos aumentou nos últimos dias - havia 16 confirmações em 18 de outubro - mas que a situação está sob controle justamente porque todos os pacientes contaminados são mantidos em isolamento, bem diferente das duas situações anteriores.
O primeiro caso de KPC no HU foi confirmado em fevereiro do ano passado. Um adolescente transferido de Goiânia deu entrada com a presença da superbactéria no sangue e conseguiu se curar. Até a confirmação, porém, a Klebsiella se espalhou, contaminou 21 pacientes e provocou o fechamento do pronto-socorro. As medidas foram tomadas mas a KPC não deixou de circular. Em julho deste ano, houve novamente um aumento de casos que, outra vez, provocou a restrição do atendimento.
De 11 de agosto até ontem, o HU confirmou 24 novos casos. Somando todos os exames positivos para KPC desde fevereiro do ano passado, o hospital acumula 231 casos confirmados, o que o coloca entre os que mais tiveram registros em todo o país. Alguns destes pacientes, a maioria deles em estado gravíssimo e muito debilitados, faleceram mas o HU não investigou se a morte foi provocada pela superbactéria.
Agora, por conta das medidas tomadas pela direção do HU, a superbactéria é rigidamente monitorada. Margarida explicou que foi adotado um sistema de cores para identificar alas e pacientes contaminados e aqueles com maior risco de serem contaminados. Além disso, as chefias de divisão foram advertidas para exigirem que os funcionários higienizem as mãos sempre que atender um paciente, já que a principal forma de transmissão é pelo contato. Mas a superlotação no PS continua oferecendo risco. ''Perigoso vai ser sempre, porque trata-se de uma bactéria multirresistente, grave e de fácil contágio'', comentou Margarida.

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