O Hospital Universitário (HU) de Londrina pode reabrir hoje a maternidade, a Unidade de Cuidados Intermediários (UCI) e a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatais se o resultado de exame feito em materiais coletados nos bebês internados der negativo para a bactéria multirresistente Klebsiella Pneumoniae Carbapenemase (KPC). São necessárias três análises para descartar a presença da bactéria, que provocou o fechamento de vários setores do hospital na última quarta-feira. As duas primeiras culturas já apresentaram resultados negativos. Se nenhum novo caso de contaminação pela KPC for constatado nas próximas 48 horas, também o Pronto-Socorro (PS) do HU poderá ser reaberto.
Representantes de hospitais, Secretaria Municipal de Saúde, 17 Regional de Saúde, Ministério Público e Universidade Estadual de Londrina (UEL) participaram na tarde de ontem de uma reunião para discutir os problemas enfrentados no setor em função da bactéria e providências que garantam os atendimentos de emergência. Segundo a diretora superintendente do HU, Margarida Carvalho, foram confirmados na instituição 31 casos de pacientes contaminados pela superbactéria, sendo duas crianças (uma delas internada na Ala de Queimados e outra que nasceu prematuramente). Do total, 15 continuam em tratamento, aguardando o resultado de novos exames.
Embora a interdição do PS seja importante para o controle da contaminação, a procura por atendimentos de emergências foi grande no final de semana e o HU teve que abrir exceções. ''Foram grandes emergências, com regulação do Siate e Samu'', justificou a superintendente.
Ontem a superlotação atingiu os outros hospitais terciários e os dois secundários (Zona Norte e Zona Sul), como reflexo da suspensão do atendimento no HU. No Hospital Evangélico (HE), onde há duas vagas na sala de emergência, havia no meio da tarde cinco pacientes internados. No final da manhã o hospital recebeu uma paciente com suspeita de meningite, provocando a suspensão temporária do atendimento no PS. O serviço só voltou ao normal depois da transferência da paciente para a UTI. O HE confirmou a presença da KPC em seis pacientes, porém quatro deles já estão livres da bactéria e outros dois - todos adultos - continuam em tratamento.
Na Santa Casa, o PS abrigava ontem 14 pacientes, sendo que a capacidade é de apenas quatro leitos. Também neste hospital pode ter havido contaminação pela bactéria multirresistente, em um paciente de 57 anos, vítima de doença crônica. O paciente está em isolamento no quarto e o resultado dos exames devem sair hoje ou amanhã.
Segundo o chefe da 17 Regional de Saúde, Adilson de Castro, a presença da KPC nos principais hospitais de Londrina representa ''um duro baque na rede de atendimento no Norte do Estado''. Ele informou que o sistema de regulação está tentando manter o máximo possível os pacientes nos seus municípios de origem. ''A situação está sob controle, mas ainda é muito frágil'', declarou. (Colaborou Luciano Augusto)

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