O primeiro procedimento em Londrina com células-tronco dentro da pesquisa nacional do Ministério da Saúde foi realizado anteontem no Hospital Universitário (HU). A pesquisa, que acontece em nove estados e no Distrito Federal, tem por objetivo comprovar a eficácia do uso de células-tronco no tratamento de doenças do coração.
Segundo a cardiologista Divina Seila de Oliveira Marques, uma das coordenadoras do estudo em Londrina, a primeira paciente a passar pelo procedimento foi uma mulher com 52 anos, portadora de doença de Chagas e com insuficiência cardíaca. A indicação da paciente, segundo a médica, era de transplante de coração.
Em tese, a paciente recebeu células-tronco retiradas da própria medula, as chamadas células-tronco autólogas. Através de um catéter, as células foram aplicadas no coração. Não há confirmação se ela recebeu ou não as células-tronco porque a pesquisa não permite que nem paciente, nem o médico que faz o tratamento, saibam. ''Os pacientes que vão receber as células-tronco são escolhidos por sorteio'', explicou. Isto para não comprometer o resultado final da pesquisa, iniciada em junho e com previsão para ser concluída em três anos.
Durante esse período, os pacientes continuam passando por tratamento com medicamentos e no final de um ano será feita a comparação do estado de saúde de quem recebeu as células-tronco e quem não recebeu.
A expectativa inicial dos médicos, explicou a cardiologista, é que a partir do sexto mês o paciente tenha uma melhora de 5% na contração do coração, e consequentemente melhora na qualidade de vida. Mas, segundo a médica, ''ainda não dá para afirmar que a paciente não precise mais passar por um transplante''.
Outros cinco pacientes já foram selecionados em Londrina e poderão passar pelo procedimento. Entre os critérios para participar da pesquisa está a idade, entre 18 e 75 anos, e a ausência de doença que possa causar a morte do paciente nos próximos dois anos. No HU, 15 profissionais participam da pesquisa, entre cardiologistas, hematologistas, hemodinamicistas e enfermeiros. ''A partir dessa pesquisa é que se poderá dizer se as células-tronco poderão ser usadas para tratamento'', explicou.
No Paraná, os dois primeiros procedimentos com células-tronco dentro da pesquisa do Ministério da Saúde aconteceram no início do mês passado, em Curitiba. Em todo o país, 1,2 mil pacientes voluntários portadores de miocardiopatia dilatada, doença isquêmica crônica, cardiopatia relacionada à Doença de Chagas e sequelas decorrentes de infarto agudo do miocárdio vão participar da pesquisa. O projeto é orçado em R$ 13 milhões.
Em Londrina, a técnica foi utilizada pela primeira vez no final de maio pelo Hospital do Coração, através de um acordo de cooperação científica com o Hospital do Coração e Instituto de Moléstias Cardiovasculares de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo. A divulgação do caso só foi feita nesta semana.

mockup