HU anuncia corte no atendimento do PS
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quarta-feira, 05 de março de 2008
Silvana Leão<br>Reportagem Local 
O Hospital Universitário (HU) anunciou ontem que vai restringir ''de forma drástica'' a demanda espontânea de atendimento no pronto-socorro (PS). Ontem o hospital viveu mais um dia caótico, com pacientes internados em macas e cadeiras espalhados pelos corredores e salas de atendimento. Todos os 17 leitos adultos da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da instituição estavam ocupados, e sete pacientes aguardavam vaga. No PS a superlotação era facilmente percebida: por volta das 17 horas, havia 41 pacientes em atendimento para 26 leitos, e outros sete aguardando para entrar.
Para o diretor superintendente do hospital, Francisco Eugênio de Souza, é preciso que haja um melhor gerenciamento dos leitos no município. ''As UBSs (Unidades Básicas de Saúde) têm que acionar o Samu e Siate e não encaminharem mais os pacientes diretamente para cá. Não estamos conseguindo dar conta da demanda'', queixou-se. Segundo Souza, a situação agravou-se de um mês para cá. ''Alguma coisa está acontecendo, e não sabemos o que é'', disse.
O diretor ressaltou ainda a preocupação com a qualidade do atendimento. ''Estamos entrando em um círculo vicioso que é muito preocupante'', disse. De acordo com Souza, o hospital é procurado por pacientes de toda a região para atendimento de especialidades. Muitos chegam espontaneamente, em estado grave, e os médicos não têm como negar socorro, embora a instituição tenha anunciado a restrição ao atendimento de pacientes encaminhados pelo Samu e Siate, desde o início da reforma no pronto-socorro, no início do ano passado.
Por causa das obras o atendimento de urgência e emergência vem sendo feito no antigo ambulatório, e o número de leitos caiu de 38 para 26. A previsão é que as obras terminem em setembro ou outubro, com a inclusão de seis novos leitos no PS.
No meio da tarde de ontem a situação foi agravada pela chegada inesperada de uma paciente de Jataizinho em estado grave (21 km a leste de Londrina). Desesperado, o filho não esperou que a Central de Vagas conseguisse um leito de UTI para a mãe e a trouxe para o HU, com hemorragia digestiva alta. Diante do risco de vida da paciente, a equipe do PS improvisou atendimento na sala de triagem, causando mais demora para quem aguardava na sala de espera.
Em uma cadeira no corredor, com a filha de 10 anos no colo, com dor, a dona de casa Rosa Maria Nicolini Batista, de Cambé (13 km a Oeste de Londrina) ilustrou a situação: ''Saímos de casa às 6h10, fomos para o Hospital de Clínicas e nos encaminharam para cá. Estamos até agora (17h30) sem almoço e corremos o risco de passar a noite nesta cadeira.''


