HTLV 2 já é endêmico entre os índios
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 11 de junho de 1997
Agência Estado Rio 
A nação indígena Caiapó é a comunidade que apresenta os maiores índices de contaminação pelo vírus HTLV 2, semelhante ao HIV, causador da Aids, em todo o mundo. A conclusão é da pesquisa liderada por Ricardo Ishak, da Universidade Federal do Pará. O estudo, que tem entre seus patrocinadores a Fundação Japonesa de Prevenção da Aids, foi apresentado ontem durante a Conferência Internacional de Retrovirologia Humana: HTLV. A pesquisa constatou que 32,3% dos índios caiapós de seis diferentes tribos estão contaminados.
Segundo Ishak, é correto falar que existe uma endemia do HTLV 2 entre as populações indígenas da Amazônia, principalmente entre os caiapós. É o primeiro foco endêmico do HTLV 2 que encontramos nas Américas, afirmou o pesquisador. A presença do HTLV 1, tipo mais agressivo do vírus, que pode causar leucemia e doenças do sistema nervoso, também foi detectada, porém em menor grau. Apenas cinco das 1.324 amostras testadas deram positivo para esse vírus.
O curioso é que, entre todas as pessoas contaminadas, apenas uma desenvolveu doença oportunista. É o caso de um menino de 9 anos que apresenta sintomas de ataxia cerebelar, doença que se caracteriza por dificuldades motoras. Uma das explicações que os cientistas encontram para o alto índice de tolerância do vírus entre os índios é o fato de ele estar presente há milhares de gerações.
Nossa suposição é de que o vírus estaria presente entre os índios há mais de 30 mil anos e que, por isso, seus organismos já tenham criado uma grande resistência a ele, afirmou o pesquisador irlandês William Hall, da Universidade de Dublin, que, além de estar desenvolvendo uma vacina contra o HTLV 1 e 2, também trabalhou na pesquisa com os índios brasileiros. Hall afirma que o vírus pode ser muito mais destrutivo para populações não indígenas.
Entre os caiapós, o vírus está presente indistintamente entre homens e mulheres e em todas as faixa etárias. No entanto, as porcentagens são muito maiores nos índios com mais de 40 anos de idade, chegando a atingir 64% dos caiapós entre 40 e 49 anos.


