Londrina - Também para a blogueira Katyucia Lie Hishino, de 25 anos, os avanços feitos nos últimos anos não eliminaram as dificuldades vividas diariamente pelas pessoas com deficiência. Vítima de acondroplasia, o tipo mais comum de nanismo, em que os braços da criança e as pernas são mais curtas em proporção ao comprimento do corpo, a londrinense que atualmente reside em Itapeva (SP) confirma que os sinais de despreparo para a inclusão são constantes tanto na forma de agir das pessoas em geral como nos equipamentos urbanos. "Houve melhoras depois da Lei de Acessibilidade, mas não foram suficientes", lamenta.
Um exemplo citado por Katyucia são os banheiros públicos e os de locais de grande fluxo de gente, como shoppings e rodoviárias. "Existem os banheiros adaptados para pessoas com deficiência, mas não resolvem minha maior limitação, que é a altura do vaso sanitário. O que facilita muito para mim são os banheiros infantis, mas em rodoviárias, por exemplo, eles não existem", exemplifica a jovem, que mede 93 cm. Os constrangimentos não param por aí. Ela revela que pôde apertar o botão do elevador pela primeira vez quando trabalhou em uma multinacional, na região de Londrina. "Eles adaptaram tudo para mim, me deram dignidade."
Situação bem diferente, porém, ela viveu no seu último emprego, em um banco. "A cadeira era muito alta, eu tinha que apoiar as pernas o tempo todo em uma escadinha, para não ficar o tempo todo com elas penduradas. Um dia cheguei a ficar presa no banheiro, porque não alcançava a maçaneta." Apesar das limitações, Katyucia mantém o bom humor. "Tem muita coisa que a gente tem que relevar, senão, o que nos resta é nos trancar no quarto e não viver."
Casada e bem resolvida, ela diz que seu blog (http://www.minicharmedodia.com.br/) foi criado para tentar amenizar outra dificuldade, que é encontrar roupas do seu tamanho que não sejam com características infantis. "Isto sempre foi muito complicado. Os únicos dois sapatos de salto que consegui ter na vida foram encomendados em um ateliê especializado em São Paulo. Foi um sonho que realizei, mas são muito caros e não pude comprar outros", revela Katyucia, que calça sapatos nº 25. Nos últimos tempos, a moda de vestir filhas e mães com modelos iguais tem facilitado a vida da blogueira, mas ela sabe que trata-se de uma moda, que logo pode passar.

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