Campinas, 27 (AE) - Os mais altos índices de biodiversidade do planeta estão concentrados em zonas tropicais, sob forte pressão humana. A perda de alguns ecossistemas e espécies, já criticamente ameaçados de extinção, torna o próprio homem mais pobre e vulnerável. Leva a desequilíbrios ambientais capazes de impactar a saúde, a agropecuária ou mesmo o clima e, portanto, a economia global.
Proteger todos os ecossistemas e espécies ameaçados é uma utopia. Por isso, uma das maiores entidades ambientalistas mundiais, a Conservation International, CI, realizou uma pesquisa científica, sob coordenação de seu presidente, Russell A. Mittermeier, na qual identifica as 25 áreas do planeta prioritárias para ações urgentes de conservação, denominadas Hotspots de Biodiversidade.
Nesta segunda feira, 29, em Washington, EUA, a CI lança um livro de 430 páginas com os resultados da pesquisa, ao qual O Estado de S. Paulo teve acesso com exclusividade.
Os 25 hotspots totalizam apenas 1,4% da superfície terrestre, porém abrigam mais de 60% das espécies conhecidas de plantas e animais. Em todos, a vegetação já foi reduzida a menos de 25% de sua extensão original ou, em alguns casos, até menos de 10%. Dois hotspots ficam no Brasil: Mata Atlântica e Cerrado.
"Nas próximas décadas, estaremos à beira de um precipício", observa Mittermeier. "Se não agirmos agora, provavelmente perderemos um terço, talvez até metade, de todas as formas de vida com as quais compartimos o planeta". Para ele
a estratégia dos hotspots coloca informação à disposição dos conservacionistas e autoridades, para a tomada de decisões mais seguras.

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