Hoteleiros protestam contra crise
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sexta-feira, 21 de março de 1997
Da Redação 
Arquivo FolhaXenofonte Villanueva: Queremos uma tolerância maior nos compromissos fiscaisA manifestação dos hoteleiros de Foz do Iguaçu durou apenas uma hora. No domingo passado, das 20 às 21 horas, os hotéis apagaram as luzes da recepção e os hospédes foram atendidos à luz de velas. Na porta de entrada uma faixa preta era mais um sinal do protesto contra a crise no setor.
Mais de 80% dos hotéis participaram da manifestação. Até a avenida das Cataratas, onde fica a maioria dos hotéis de luxo da cidade, ficou apagada durante uma hora.
Muitos restaurantes também atenderam à luz de velas. A estudante de São Paulo, Jaqueline Pinelli, disse que achou estranho, pensou que as velas fizessem parte da decoração do restaurante.
Um grupo de turistas de Minas Gerais que chegou durante o blecaute dos hotéis levou um susto. O comerciante Paulo Carvalho falou que na hora pensou que a luz do hotel tinha sido cortada por falta de pagamento. De qualquer forma, assim que ficaram sabendo o motivo, os turistas apoiaram.
As agências e operadoras de turismo também participaram organizando uma carreata com mais de 250 veículos, incluindo kombis e ônibus. Com a luz baixa e o pisca-pisca ligado, os veículos passaram pelas principais ruas da cidade.
Para os organizadores, a manifestação superou as expectativas. Prova disso é o fato dos restaurantes e agências de turismo terem aderido ao movimento.
Crise Segundo os empresários o objetivo foi chamar a atenção das autoridades para a crise que o setor turístico atravessa em Foz do Iguaçu.
Segundo os hoteleiros, só nos últimos dois anos, o movimento dos hotéis caiu mais de 60% e o número de funcionários foi reduzido. De 14 mil empregados que o setor hoteleiro tinha em 1994, hoje são apenas 5 mil.
O empresário Antônio Gonzales Júnior diz que muitos hotéis estão sem condições de pagar até as contas. Por isso, eles entregaram ao prefeito de Foz do Iguaçu, Harry Daijó, um documento em que consta uma série de reivindicações que possa minorar a situação crítica em que se encontram. Queremos uma tolerância maior para com os atrasos dos compromissos fiscais, disse o empresário Xenofonte Villanueva.
Entre as reivindicações estão a isenção da taxa de esgoto e do ICMS da energia elétrica, que reduz em 25% o custo com as taxas de luz. Eles também querem moratória para os impostos e que o setor hoteleiro seja enquadrado na alíquota de consumo de energia da indústria, que é 50% mais barata. Com esse apoio, eles acreditam que consiguiram vencer a crise. O blecaute foi uma demonstração das angústias e deslespero dos hoteleiros, disse Xenofonte.


