Rio, 17 (AE) - O Hotel Nacional, um dos mais famosos do Rio de Janeiro e que foi projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer
vai a leilão nos próximos meses pelo preço mínimo de R$ 49 milhões. As regras do edital de venda, que só vai ser divulgado na semana que vem, foram antecipadas à AGÊNCIA ESTADO pelo superintendente da Superintendência de Seguros Privados (Susep), órgão subordinado ao Ministério da Fazenda, Hélio Portocarrero.
Desde 1998, o Hotel Nacional faz parte do espólio da Papa-Tudo, administradora de títulos de capitalização que foi liquidada pela Susep naquele ano. O processo de liquidação ainda não terminou, mas a Superintendência decidiu vender o complexo. O dinheiro arrecadado vai para a carteira de ativos da antiga administradora, que tem como liquidante Marcos Berzi.
O edital vai permitir que qualquer grupo hoteleiro, do Brasil ou do exterior, entre na disputa pelo complexo, que é formado por uma torre redonda com 35 andares e um dos mais modernos centro de convenções do País. O hotel também tem um conjunto de lojas e dois subsolos. O prédio está localizado em São Conrado, na Zona Sul do Rio.
O preço mínimo foi fixado a partir de uma avaliação feita pela Caixa Econômica Federal. Os técnicos da CEF avaliaram o Hotel Nacional em R$ 55,3 milhões. Desse valor, foram descontados R$ 6,3 milhões referentes a equipamentos novos adquiridos pela administração anterior, entre eles um conjunto de modernos elevadores digitais.
A venda do hotel foi saudada por hoteleiros da cidade do Rio como um fato importante. "Acho que a volta do Nacional coincide com uma nova fase do turismo na nossa cidade", diz Gerárd Bourgearseau, secretário municipal de Turismo do Rio. "O Hotel Nacional é um marco do turismo brasileiro", afirma o vice-presidente da seção Rio da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis, Francisco Grabowsky.
Apesar do otimismo, o Bourgearseau diz que o preço mínimo de R$ 49 milhões está alto e teme que isso possa afastar grupos da disputa. "Acho que está puxado", admitiu. Para Grabowsky o que vai pesar na decisão dos grupos na hora de entrar ou não na disputa é o volume de investimentos que o complexo exige. "Os novos donos vão ter que deixar o prédio no osso e começar tudo de novo, o que vai exigir muito dinheiro", diz.
Hélio Portocarrero diz que o leilão deve ser realizado no fim de maio. Caso nenhum grupo apareça para dar um lance, um novo leilão será marcado para junho. O preço mínimo seria então reduzido para cerca de 80% do atual, o que seria algo próximo a R$ 39,2 milhões. Se o leilão fracassar de novo, a legislaçãoe dá ao liquidante duas opções: ou realizar um terceiro leilão, sem preço mínimo, ou então mandar a Caixa Econômica realizar uma nova avaliação do hotel.
"Eu tenho recebido consultas de grupos interessados no Hotel Nacional e acho que o leilão vai ser um sucesso", prevê o superintendente da Susep. "Torço para que algum dos grupos estrangeiros que têm nos procurado entre na disputa e leve o hotel", diz o secretário muncipal de turismo do Rio.
O Hotel Nacional foi construído no final dos anos 50 e contou com o apoio do presidente Jucelino Kubistschek, que determinou à Caixa Econômica que financiasse a sonho do empresário José Tjurs. O projeto de Oscar Niemeyr foi considerado inovador para a época. A torre de 35 andares permite que todos os 500 quartos tenham uma vista privilegiada da região de São Conrrado, uma belo pedaço de praia entre o Leblon e a Barra da Tijuca.
Com a morte de Tjurs, seus filhos decidiram vender o hotel. Em 1996, o complexo foi comprado por Arthur Falk, na época o maior acionista da Papa-Tudo Capitalização, por cerca de US$ 16,1 milhões. Dois anos depois, a empresa acabou liquidada pela Susep por insuficência de recursos para cobrir seus compromissos com credores e aplicadores.
Papa-Tudo- O processo de liquidação da empresa que administrava o mais popular título de capitalização do país continua. Segundo o liquidante Marcos Berzi ainda está sendo feito o trabalho de elaboração do quadro de credores, que deve incluir os nome de milhares de aplicadores que compraram os títulos do Papa-Tudo. Somente depois disso é que deve ser feita a convocação dos credores, que vão se habilitar a receber os seus créditos. IBEP INSTITUTO BRASILEIRO DE ESTUDOS POLíTICOS 1

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