Hotéis enfrentam crise com demissões
Ana Carolina Sacoman
De Maringá
Especial para a Folha
Para tentar equilibrar as contas, rede hoteleira de Maringá já demitiu cerca de 15% dos funcionários somente este ano
Com ocupação sazonal e em queda desde o começo do ano, os hotéis de Maringá estão demitindo funcionários e fazendo malabarismo para manter preços e não repassar aumentos ao cliente. De acordo com o vice-presidente do Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Maringá (Sindhotel), Hugo César Furlan, a crise é generalizada e afeta todas as categorias. O hóspede sumiu em todo tipo de hotel. Isto é o reflexo da crise no comércio, que também está de portas fechadas, diz.
Ele calcula que, na tentativa de equilibrar as contas, a hotelaria já demitiu cerca de 15% dos funcionários somente este ano. A maioria está trabalhando com quadro enxuto, com o mínimo de pessoal necessário. É o caso do proprietário do Hotel Fátima, Roberto Galbiatti, que conservou apenas sete dos 12 empregados. Diminuí o pessoal o máximo que pude e agora não dá para tirar mais ninguém. Tenho que conter as despesas, justifica.
Até mesmo os hotéis pequenos e mais baratos sofrem com a falta de hóspedes. O dono do Hotel dos Viajantes, Elias Fernandes, tem hoje apenas dois funcionários para atender 20 quartos durante o dia. No meio da semana, quando a clientela, formada principalmente por vendedores da região, aumenta, o trabalho é grande, mas nada comparado aos bons tempos. Há 12 anos era difícil achar vaga aqui. Agora a ocupação não chega à metade, diz Fernandes.
Um dos hotéis mais sofisticados da cidade, o Golden Ingá, também registrou queda no movimento, cerca de 10%, em relação ao ano passado. Não demitimos funcionários e nem aumentamos as diárias. Estamos fazendo contenção interna de despesas para não repassar os preços aos clientes, afirma a gerente comercial, Maria Aparecida Macedo.
Com idêntica queda na ocupação e política de redução de gastos, a gerência do Deville, de categoria 4 estrelas, espera aumento na procura a partir deste mês. Estamos fazendo forte propaganda, revela o gerente Manoel Terron Garcia.
Nem mesmo durante eventos de grande porte na cidade como a Expoingá e a Feira Moda Paraná, os hotéis chegam a registrar 100% de ocupação. Antes da Moda Paraná, verificamos um aumento nas reservas, mas nada de animador, revela a gerente do Hotel Bandeirantes, Neusa de Melo. Durante a exposição, a procura também é bem pequena.
São poucos os hóspedes que vêm especificamente para o evento, afirma. Assim como outros conhecedores do setor hoteleiro de Maringá, Neusa diz que o local tem a lotação esgotada somente durante o vestibular. Mas são apenas quatro dias, lamenta.
Para Hugo Furlan, além da crise no comércio, o problema em Maringá é a grande concorrência. Sobram hotéis na cidade. Se estes dois novos estabelecimentos que estão sendo construídos estivessem prontos, muitos já teriam fechado as portas, alerta.





