Rio, 27 (AE) - A grande expectativa criada pela rede hoteleira para a virada do ano 2000 não se concretizou: às vésperas do reveillon ainda há lugares de sobra nos hotéis do Rio e mesmo nos de Copacabana, palco maior da festa. Segundo os cálculos da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH), mais de 10% dos 22 mil apartamentos disponíveis estão vagos para a noite do dia 31.
As operadoras internacionais não conseguiram revender a grande maioria dos pacotes de cinco dias, frustrando a meta de aumentar o percentual de estrangeiros na festa que, este ano, deverá continuar no patamar dos 20%. As operadoras nacionais também não tiveram o desempenho esperado. "A ocupação está entre 80% e 90% e não em 100% como era esperado", afirmou hoje o presidente da ABIH, álvaro Bezerra de Melo.
"Mas, com certeza, chegaremos a uma ocupação de, no mínimo, 85%." O presidente da Riotur, Gerard Bourgeaiseau, foi mais otimista. "Sempre há uma grande demanda de última hora e deveremos lotar." Para minimizar o prejuízo das operadoras, os hotéis estão tentando vender de última hora os pacotes encalhados. "Não estamos reduzindo preços, mas criando pacotes de menos dias, que saem mais baratos", explicou Melo. Os pacotes de cinco dias em hotéis em Copacabana estavam custando entre R$ 1.200 e R$ 20.000. O preço deverá cair proporcionalmente à diminuição do número de dias. Embora não disponha de números, Melo informou que a situação é a mesma na Região dos Lagos. "A procura não foi a esperada", disse.
Os hoteleiros atribuem o problema ao bug do ano 2000. "As pessoas estão com medo de se ausentar nesse momento e ter problemas em suas contas bancárias", disse Melo. Para ele, os altos preços cobrados pelos hotéis não foram determinantes. "Isso está acontecendo no mundo todo, em Paris, Nova York e Miami", afirmou. "Se houve uma superestimação, foi internacional, não apenas nossa." De forma geral, no entanto, os hoteleiros não têm do que se queixar.
Segundo acompanhamento que vem sendo feito pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), a taxa de ocupação dos hotéis em novembro foi a mais alta de 1999: 74,35%. Em outubro, esse percentual foi de 68,6% e, em setembro, de 63,9%. O turismo de negócios é o maior responsável pelas altas taxas de ocupação. Cerca de 2/3 dos hóspedes são pessoas que vêm à cidade para participar de congressos e seminários.

mockup