Hospitalar traz novidades tecnológicas na área médica
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quinta-feira, 17 de junho de 1999
Por Gabriela Scheinberg, especial para a AE 
São Paulo, 18 (AE) - Um robô que simula reações humanas em uma mesa de cirurgia não é o enredo de um filme de ficção científica. Assim como equipamentos de raio X que usam menos radiação deixaram de ser apenas uma meta no setor médico. A tecnologia está avançando e as empresas estão acompanhado esse processo. Essas novidades e um hospital ideal, montado em um espaço de 900 metros quadrados, fazem parte das atrações que estarão sendo exibidas durante a maior feira de insumos, equipamentos e serviços do setor médico: a Hospitalar, que será realizada entre os dias 22 e 25 no Pavilhão de Exposição do Expo Center Norte, em São Paulo.
O robô que simula reações de um paciente na mesa de cirurgia é uma das atrações da feira. Esse simulador real interage com o aluno, permitindo que ele treine em robôs antes de entrar para um centro cirúrgico verdadeiro. "O robô, que fica ligado a aparelhos reais usados em centros cirúrgicos, responde a todos os procedimentos realizados pelo aluno", explica Marcelo Glória, da empresa Berkeley, que distribui esse equipamento. Nos EUA, o robô existe há sete anos. Em março de 98
chegou ao País um boneco similar, capaz de sofrer enfarte e parada cardíaca.
O boneco de 1,70 metro é formado por componentes eletrônicos com uma rápida capacidade de processamento. Além de ser capaz de dar sinais de vida, o robô responde a medicamentos que podem ser administrados pelo aluno. Caso o estudante faça algum procedimento errado, o boneco morre. O robô, com os aparelhos usados em centros cirúrgicos, custa US$ 600 mil. O preço do boneco apenas é US$ 270 mil. Raio X - Novas tecnologias estão sendo usadas para desenvolver equipamentos de diagnóstico por imagem. A Raicenter estará apresentando durante a feira um raio X que emite menos radiação do que os usuais. Isso porque demora menos tempo para bater uma chapa. O protótipo estará sendo exibido durante a feira. A produção começará em 60 dias.
Outro raio X que será apresentado na feira é o Polymobil Plus, da Siemens, com potência de 16 quilowats, que melhora a qualidade da imagem. O aparelho permite que o técnico ajuste a máquina ao paciente. Além de equipamentos, serviços na área de saúde também se estão adaptando às necessidades da população. O atendimento médico domiciliar é um desses setores. Para os interessados, a Rimed, empresa de distribuição de produtos hospitalares, está lançando na feira o Manual do Home Care.
O manual está baseado no modelo norte-americano de atendimento hospitalar domiciliar, já que o País ainda não desenvolveu uma prática própria. "Esse mercado movimenta US$ 50 bilhões ao ano nos Estados Unidos, que tem hoje 22 mil empresas de home care", afirma Fernando Só e Silva, diretor a Divisão de Negócios Home Care da Rimed. Segundo ele, no Brasil, há 50 empresas e a projeção é que esse setor movimente US$ 100 milhões ao ano. "Hoje, 20 mil pessoas são tratadas em casa", explica Silva. "Mas o Brasil tem potencial para tratar 1,2 milhão, financiado pelo setor privado".
Ele acrescenta que o crescimento dependerá do setor particular, que incluiria o home care nos seus serviços. O manual, que será lançado na feira, custa R$ 149. Hospital ideal - Durante a construção de um hospital, há várias preocupações que precisam ser levadas em conta. Um hospital ideal deve seguir regras para, além de oferecer uma qualidade melhor aos pacientes, aprimorar o fluxo de trabalho. "Isso é feito de forma simples, agrupando os setores que precisam estar próximos", segundo Lauro Miquelin, sócio da L+M Arquitetura, responsável pela montagem do Hospital Contemporâneo, que estará exposto durante a Hospitalar. Ele explica que os setores que lidam com risco não podem estar distantes.
O pronto-socorro (PS), por exemplo, precisa estar perto do setor de diagnóstico por imagem, onde ficam os aparelhos de raio X e tomografia, entre outros. Para poder diagnosticar o problema, muitas vezes os médicos dependem dos resultados desses exames. O PS, entretanto, não pode ficar longe do centro cirúrgico. O mesmo ocorre com a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), que precisa estar localizada próxima ao PS. "Todos esses requisitos precisam ser bem planejados", aconselha Miquelin.


