Hospital trocou Androcur falso
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 17 de julho de 1998
Agência Folha 
O Hospital das Clínicas de São Paulo trocou cerca de 40 caixas do medicamento Androcur (para câncer de próstata) falso desde janeiro deste ano. A existência de Androcur falso na cidade de São Paulo surpreendeu a Vigilância Sanitária do Estado, já que até agora só havia sido divulgada a descoberta no Estado de remédios do lote 351 (que não contém princípio ativo) em Ribeirão Preto (a 319 km de São Paulo), onde foi feita apreensão.
O diretor técnico da divisão farmacêutica do HC, Victor Hugo Travassos da Rosa, afirma, porém, que o hospital nunca comprou ou distribuiu o lote. Segundo ele, o hospital trocou o remédio falso por Androcur autêntico para dez pacientes. Ele não soube dizer ontem a procedência dos produtos falsos trocados.
A afirmação do diretor do HC contradiz a do industrial Idelfonso Motta Junior, 49 anos, cujo pai, morto em junho, foi um dos que fez a troca. Segundo o industrial, seu pai, o metalúrgico Idelfonso Motta, retirou as três caixas do lote 351 no próprio hospital. Ele era paciente do HC havia cinco anos, sempre pegava medicamento lá , declara Motta. Segundo o industrial, a família percebeu que estava com remédio falso em abril, quando as notícias sobre casos de falsificação começaram a ser divulgadas. Em seguida, fez a troca no HC. Não sei se meu pai chegou a tomar algum comprimido falso. Já havíamos jogado fora as caixas já usadas. Não sabemos se eram do lote falso.
Segundo Rosa, embora não tenha distribuído o lote 351, o HC resolveu fazer a troca a pedido da distribuidora Represental. Um representante da distribuidora procurou o hospital afirmando que estava recolhendo o produto falso em nome do fabricante, o laboratório Schering do Brasil. O laboratório nega ter orientado distribuidores para recolher o remédio e diz que não recebeu nada da Represental.


