Rio, 27 (AE) - A direção do Hospital Geral de Bonsucesso pediu hoje à Polícia Federal (PF) a abertura de inquérito para investigar supostos atos de sabotagem ocorridos esta semana na unidade, localizada na zona norte do Rio. Ontem, o serviço de marcação de consultas do hospital por meio do sistema 0800 foi interrompido, pela manhã, por causa do provável desligamento de um aparelho. A direção afirma que a porta da sala onde funciona a central telefônica foi arrombada. Na terça-feira, o problema ocorreu na Central de Processamento de Dados (CPD) do hospital, que também teria sido desligada, prejudicando a comunicação do setor de emergência com o de internação.
A coordenadora do Ministério da Saúde no Rio, Ana Tereza Pereira, responsável pela administração dos 13 hospitais federais do Estado, estima em 200 o número de pessoas que teriam sido prejudicadas e acusa "funcionários insatisfeitos com a política do governo". Segundo Ana Tereza, a ação do ministério no Rio está "ferindo vários interesses", com a cobrança por aumento da produção e o estímulo à adesão ao Programa de Demissão Voluntária. Ela nega que tenha havido casos de ameaça entre os funcionários. Invasão - Na mesma madrugada em que a CPD do hospital teria sido atacada, houve a invasão da sede do Ministério da Saúde no Rio, com o arrombamento de oito salas. Armários foram revirados e um computador com dados sobre o pagamento de funcionários, roubado. A PF já está investigando o caso.
Ana Tereza enfrenta resistência por parte do Sindicato dos Médicos do Estado do Rio, que contesta sua administração. Há cerca de 15 dias, o presidente da entidade, Jorge Darze, reuniu parlamentares da bancada fluminense para pedir a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar as denúncias contidas em um dossiê com supostas irregularidades nas unidades federais.
"A gestão dos hospitais é um escândalo e o ministro José Serra já recusou três pedidos de audiência", afirmou, na ocasião, o presidente do sindicato, que disse ter encaminhado os documentos ao Ministério Público Federal. O dossiê aponta, entre as denúncias, a falta de insulina e de serviços para a execução de exames histopatológicos no Hospital Geral de Bonsucesso. Também acusa a existência de um superfaturamento de R$ 245 mil na obra de extensão do serviço de emergência do Hospital do Andaraí.
Ana Tereza negou todas as acusações e disse que o sindicato estaria ligado a "grupos com interesses políticos, que perderam privilégios". Segundo ela, a terceirização de serviços nos hospitais propiciou uma economia de R$ 25 milhões desde que foi implantada, em julho do ano passado.

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